35% das empresas portuguesas do setor dos produtos metálicos apresentam baixo risco de incumprimento e apenas 19% registam risco elevado ou máximo, segundo dados da Iberinform. Apesar da estabilidade do volume de negócios e das exportações, o prazo médio de pagamento aproxima-se dos 100 dias, pressionando a gestão financeira e as relações com fornecedores.
O setor da fabricação de produtos metálicos mantém um perfil de risco relativamente controlado, ainda que com sinais de pressão na tesouraria. De acordo com dados divulgados pela Iberinform, 35% das empresas apresentam baixo risco de incumprimento, enquanto apenas 19% estão classificadas com risco elevado ou máximo.
A distribuição geográfica revela uma forte concentração nos principais polos industriais do país. Porto (18%), Aveiro (16%), Lisboa (12%), Leiria (12%) e Braga (12%) lideram o setor, apresentando níveis de risco de crédito alinhados com a média nacional.
Quase metade das empresas (48%) foi constituída há mais de 15 anos, enquanto 23% têm menos de cinco anos. A maturidade empresarial continua a ser um fator determinante no perfil de risco: empresas mais recentes registam níveis de risco mais elevados, ao passo que organizações com mais de 15 anos apresentam risco médio, próximo do baixo.
Para procurement, este dado é particularmente relevante na avaliação e qualificação de fornecedores, sobretudo em cadeias de abastecimento com elevada fragmentação.
Estrutura empresarial: 96% são micro e pequenas empresas
O setor é dominado por micro e pequenas empresas, que representam cerca de 96% do tecido empresarial. As empresas médias correspondem a 4% e as grandes têm um peso inferior a 1%.
Apesar da sua reduzida expressão numérica, as grandes empresas apresentam volumes de faturação semelhantes aos das pequenas e médias. Já as microempresas, embora liderem em número, concentram a menor fatia de vendas totais, não atingindo mil milhões de euros. As restantes dimensões empresariais registam valores de faturação pelo menos três vezes superiores.
Este perfil evidencia uma cadeia de fornecimento fortemente pulverizada, onde a solidez financeira e a gestão de risco assumem um papel crítico.
O prazo médio de pagamento voltou a aumentar, aproximando-se dos 100 dias após a data da dívida, uma tendência semelhante à observada em 2023. O indicador sugere maior dificuldade no cumprimento de obrigações perante fornecedores.
Em sentido inverso, o prazo médio de recebimento tem vindo a diminuir gradualmente desde 2020, passando de 105 dias para 89 dias atualmente. Ainda que elevado, o movimento indica um esforço do setor para acelerar cobranças, compensando parcialmente o alongamento dos pagamentos.
Para os departamentos de compras e gestão financeira, esta divergência entre pagamentos e recebimentos pode traduzir-se em maior pressão negocial e necessidade de monitorização contínua do risco de crédito.
O volume de negócios registou uma ligeira redução de cerca de 13 milhões de euros. Já a taxa de exportação melhorou 0,2 pontos percentuais face a 2023, fixando-se agora em 30,9%.
Os indicadores apontam para uma relativa estabilidade do setor, ainda que num contexto de maior exigência ao nível da gestão financeira e do controlo de risco.



