As exportações portuguesas de bens aumentaram 0,5% em 2025, impulsionadas pelo mercado alemão, mas o crescimento mais rápido das importações levou a um agravamento do défice da balança comercial para 32,1 mil milhões de euros, segundo dados do INE.
As exportações portuguesas de bens registaram um crescimento homólogo de 0,5% em 2025, totalizando 79.312 milhões de euros, de acordo com os primeiros resultados anuais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística. Apesar do sinal positivo do lado das vendas ao exterior, o desempenho foi insuficiente para compensar o forte aumento das importações, que acabaram por agravar novamente o défice da balança comercial de bens.
Num ano marcado por incerteza geopolítica, tensões comerciais e tarifas, as importações de mercadorias cresceram 3,9%, para 111.412 milhões de euros, quase oito vezes mais do que as exportações. Como resultado, o défice comercial aumentou em 3.752 milhões de euros, fixando-se nos 32.100 milhões de euros no conjunto do ano.
O principal contributo positivo para as exportações portuguesas veio da Alemanha, que se manteve como o segundo maior destino das vendas nacionais, com um peso de 13,9%. As exportações para este mercado cresceram 14,5%, impulsionadas sobretudo pelos fornecimentos industriais, num contexto de reforço das cadeias produtivas europeias e de maior integração intra-UE.
Em contraste, os Estados Unidos foram o mercado que mais penalizou o desempenho exportador. As vendas para este destino caíram 13,4%, o equivalente a menos 715 milhões de euros, devido sobretudo à redução das exportações de combustíveis e lubrificantes. Esta quebra é associada a um enquadramento de política comercial mais imprevisível e menos favorável ao comércio internacional.
Espanha reforça peso como principal fornecedor
Do lado das importações, a Espanha voltou a destacar-se como o principal parceiro comercial de Portugal, concentrando 32,9% das compras ao exterior. As importações provenientes do país vizinho aumentaram 3,9%, com destaque para os bens de consumo, refletindo a forte interdependência logística e industrial ibérica.
O INE sublinha ainda o impacto das transações sem transferência de propriedade, associadas a trabalhos por encomenda, processamento ou transformação de bens pertencentes a entidades estrangeiras. Estas operações tiveram um efeito positivo tanto nas exportações como nas importações.
Quando excluídas, o retrato altera-se de forma significativa:
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as exportações passam a registar uma queda de 1,6%;
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o crescimento das importações abranda para 2,3%;
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o défice comercial ajustado agrava-se para 32.309 milhões de euros.
Este detalhe é particularmente relevante para o setor de freight e logística, uma vez que parte do crescimento nominal do comércio externo não corresponde a fluxos associados a consumo final ou investimento, mas sim a operações industriais integradas em cadeias internacionais de produção.
No último mês de 2025, as exportações recuaram 0,7% em termos homólogos, enquanto as importações caíram 2,7%. Com as importações a diminuírem mais do que as exportações, o défice mensal desagravou-se em 190 milhões de euros, fixando-se nos 2.871 milhões de euros.
Ainda assim, quando excluídas as transações sem transferência de propriedade, as exportações caíram 6,1% em dezembro, acima da redução de 4% nas importações, o que reforça a leitura de fragilidade da procura externa no final do ano.
Os dados de 2025 confirmam um cenário de pressão estrutural sobre a balança comercial, com impacto direto nos fluxos de transporte internacional. O reforço das importações, a forte dependência de parceiros próximos – como Espanha e Alemanha – e a quebra em mercados extra-UE como os Estados Unidos da América ajudam a explicar uma reorganização progressiva das rotas, volumes e prioridades logísticas, num contexto em que a geopolítica deixou de ser apenas enquadramento e passou a variável operacional.



