À medida que se intensifica a resposta pública à devastação provocada pela tempestade Kristin, a Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP) veio reforçar o apelo por medidas excecionais, céleres e coordenadas, que garantam a retoma da produção industrial no país e evitem um enfraquecimento estrutural do tecido empresarial.

“Se não forem tomadas medidas adequadas, o custo da inação será muito superior ao custo de uma intervenção pública atempada”, afirma Amaro Reis, presidente da associação. “Sem condições reais para a retoma da produção, assistiremos a encerramentos empresariais, perda de emprego e fragilização das cadeias de valor industriais.

O setor dos plásticos, com forte concentração nas regiões de Leiria e Marinha Grande, foi um dos setores industriais mais severamente afetados pela depressão Kristin, que chegou ao continente na noite de 27 para 28 de janeiro provocando ventos extremos, chuva intensa e destruição de infraestruturas, equipamentos e redes eléctricas. Os prejuízos diretos no país já são estimados em mais de 4 mil milhões de euros, sem contar com o impacto mais amplo sobre a actividade económica.

Respostas urgentes, mas insuficientes sem medidas excecionais

Apesar da situação de calamidade e das medidas anunciadas pelo Governo, a APIP alerta que o foco excessivo em instrumentos de dívida — como linhas de crédito — pode não ser suficiente num contexto em que muitas empresas perderam capacidade produtiva e enfrentam custos operacionais elevadíssimos.

“Estamos a falar de empresas que perderam capacidade produtiva, não apenas liquidez. Endividá-las ainda mais, sem instrumentos de apoio direto, aumenta significativamente o risco de insolvência”, afirma Amaro Reis, defendendo a necessidade de apoios não reembolsáveis, liquidez antecipada e mecanismos mistos que incentivem a retoma da produção e a manutenção de emprego.

Além dos desafios financeiros, o setor tem enfrentado microcortes de energia e potência insuficiente em muitas unidades industriais devido a danos significativos na rede elétrica de alta e muito alta tensão, um factor que tem provocado paragens de produção, desperdício de matéria-prima e compromete a segurança e a qualidade operacional.

Para a APIP, o actual contexto exige não apenas a execução das medidas já previstas pelo Governo, mas um reforço do leque de instrumentos de apoio que considerem a especificidade da indústria transformadora e o impacto sistémico provocado pela tempestade.

“O que está em causa não é apenas a retoma de algumas empresas, mas a preservação do tecido industrial, do emprego e da capacidade produtiva nacional”, conclui Amaro Reis. “Sem instrumentos excecionais, muitas empresas simplesmente não vão sobreviver.”

O apelo da associação ecoa um desafio maior para a governação económica portuguesa nos próximos meses: transformar um conjunto robusto de medidas em apoios tangíveis, acessíveis e rápidos, que permitam não apenas ultrapassar a crise imediata, mas também reforçar a resiliência e competitividade da indústria nacional, num contexto de riscos climáticos cada vez mais frequentes.

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