A edição 70 da Supply Chain Magazine parte de uma observação clara: a normalidade deixou de ser um ponto de referência fiável para quem gere cadeias de abastecimento. Entre o controlo e o imprevisível, esta edição analisa como as organizações estão a operar, decidir e adaptar-se num contexto marcado por instabilidade geopolítica, fragmentação do comércio global, pressão sobre custos e uma incerteza que já não é conjuntural, mas estrutural.

O eixo central da edição é a análise “2026: Entre o controlo e o imprevisível”, baseada nas previsões da Gartner, que traça o enquadramento macro em que a supply chain entra neste novo ano. Mais do que antecipar cenários, o foco está na maturidade das decisões: cadeias desenhadas para ajuste contínuo, sourcing repensado à luz do custo total, tecnologia sob escrutínio e liderança confortável com ambiguidade. A eficiência, por si só, deixa de ser suficiente; a capacidade de adaptação passa a ser um fator crítico de competitividade.

Este enquadramento estratégico ganha corpo em casos reais onde a logística deixa de ser suporte e assume um papel determinante. Na BebéVida, a logística é literalmente vital, garantindo que tempo, temperatura e rastreabilidade preservam a viabilidade de células estaminais ao longo de uma cadeia altamente sensível, nacional e internacional. Já no centro de distribuição da Schneider Electric, em Evreux, a logística surge como motor de sustentabilidade e circularidade, numa operação reconhecida pelo Fórum Económico Mundial como ‘Farol’ de Sustentabilidade, combinando eficiência energética, tecnologia e novos modelos operacionais.

A edição percorre ainda a transformação da logística urbana, com o projeto europeu DISCO, que aponta os dados, a colaboração e a partilha de infraestruturas como elementos-chave para cidades mais eficientes, menos congestionadas e alinhadas com as metas climáticas. Na intralogística, casos como o da Dior mostram como o redesenho de fluxos, a integração tecnológica e a execução no terreno continuam a redefinir desempenho e fiabilidade à escala global.

No plano do freight, a revista analisa como os acordos comerciais estão a redesenhar rotas globais, colocando pressão acrescida sobre capacidade, custos e planeamento. Complementarmente, o caso da Stratio evidencia como a rastreabilidade, a transparência e a manutenção preditiva estão a afirmar-se como novos pilares da segurança logística num contexto de cadeias cada vez mais fragmentadas.

O procurement tem também lugar nesta edição, com destaque para a conversa “3 perguntas a… João Miranda”, da Riberalves, que recentra a função nas pessoas, na comunicação e na liderança, e para os Prémios APCADEC by EIPM, que reconhecem projetos e equipas que estão a elevar o nível de maturidade do procurement em Portugal.

A fechar, a secção Carreira reforça uma ideia essencial: a supply chain faz-se de pessoas, antes de se fazer de sistemas. Na rubrica Supply Chain no ADN, Tiago Figueiroa, da FNAC, partilha um percurso onde a logística não é apenas função, mas identidade profissional construída no terreno, na decisão e na visão integrada do negócio. E em “Um dia na vida de…”, o testemunho de Vítor Loureiro, motorista da DPD, devolve-nos à base da operação: quem assegura entregas, cumpre horários e mantém a cadeia a funcionar, mesmo quando o contexto não ajuda.

Num setor frequentemente dominado por métricas, dashboards e tecnologia, esta edição lembra que nenhuma estratégia se sustenta sem pessoas alinhadas, comprometidas e conscientes do seu papel. A supply chain começa e termina no humano.

Este número não promete previsibilidade. Assume a incerteza como parte do sistema e aponta um caminho claro: operar melhor num mundo imperfeito, decidindo com mais consciência, mais contexto e menos ilusões de controlo.

Tudo isto, a par das habituais secções de opinião, está disponível na versão digital da sua revista de supply chain.

👉 É só seguir o link >> SCM #70