O preço dos bens de consumo, como computadores, máquinas elétricas e equipamento de transporte, poderá disparar significativamente este ano, como resultado do aumento dos custos de transporte, que está a criar “fissuras no sistema global de comércio”, indica o Charted Institute of Procurement and Supply (CIPS), citado pelo The Guardian.

De acordo com um estudo elaborado pelo CIPS, os custos de transporte, energia e matérias-primas continuam a aumentar e os preços mantêm-se voláteis, o que deverá repercutir-se nas empresas e nos consumidores ao longo do ano.

Um inquérito levado a cabo no final de 2025, pelo CIPS, indicou que as preocupações com perturbações nas cadeias de abastecimento nos próximos três meses atingiram o nível mais elevado dos últimos dois anos, sugerindo um incremento da inquietação entre as equipas de compras.

Os responsáveis da área de procurement revelaram serem frequentemente os primeiros, dentro das empresas, a detetar aumentos de preços ou dificuldades no acesso a bens. Alertam ainda que a incerteza e volatilidade dos preços deverão tornar-se numa característica permanente do comércio internacional.

Segundo os inquiridos, o transporte marítimo e a logística são as áreas com maior probabilidade de registar aumentos significativos de preços em 2026, com 22% a apontar aumentos superiores a 10% até ao final de 2025.

Cerca de 18% afirmou ter registado aumentos de preços semelhantes nos computadores e equipamentos periféricos, enquanto 15% reportou aumentos de custos no equipamento de transporte, e 14% nas máquinas e aparelhos elétricos.

Nas últimas semanas, os preços nas rotas marítimas entre a Ásia e a costa leste dos EUA, bem como entre a Ásia e a Europa, aumentaram.

“Os profissionais de procurement são frequentemente os primeiros a ver fissuras a formarem-se no sistema global de comércio. A volatilidade já não é uma exceção. Quando os custos logísticos podem oscilar entre 20% e 30% em poucas semanas, essas pressões acabam inevitavelmente por repercutir-se tanto nas empresas como nos consumidores”, afirma Ben Farrell, diretor-executivo do CIPS.