O governo dos Açores anunciou que já está em funcionamento um novo modelo de transporte marítimo de mercadorias, que envolve escalas semanais em todas as ilhas, mais equipamentos nos portos e ajustes na operação portuária.

Disso deu conta a secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, ao intervir no encerramento do seminário “Transportes Marítimos: Impacto na Economia Açoriana”, promovido, na última sexta-feira, pela Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, na Praia da Vitória.

“Fizemos um estudo pragmático, que se debruçou sobre questões práticas, e passámos imediatamente à implementação de um novo modelo. Hoje já temos resultados concretos”, declarou, citada num comunicado oficial, adiantando que em implementação está o cenário 2, após o que se caminhará, de forma progressiva, para “o cenário misto otimizado”.

Afirmando que o transporte marítimo, em especial o de mercadorias, “é um dos pilares estruturantes da economia, da coesão territorial e do funcionamento regular da Região Autónoma dos Açores”, a governante ressalvou, porém, que este é dos temas mais complexos da governação regional, em que “nunca poderão ocorrer disrupções que coloquem em risco o abastecimento público”.

Num arquipélago “fragmentado, ultraperiférico e sujeito a constrangimentos naturais permanentes”, o transporte marítimo de mercadorias vai muito além de uma mera operação logística: “É um serviço essencial, determinante para o abastecimento das ilhas, para a competitividade das empresas, para o controlo dos custos de contexto e para a estabilidade do mercado interno.”

De acordo com Berta Cabral, o modelo em funcionamento permitiu uma maior regularidade que ajuda as empresas a “planear melhor a sua atividade, a reduzir ruturas de ‘stock’, a otimizar cadeias de abastecimento, a diminuir custos indiretos associados à incerteza logística e a valorizar a produção endógena”.

Sobre os investimentos do governo regional, enumerou que, desde 2021, foram alocados mais de 27 milhões de euros para equipamentos, com mais de 63 milhões atualmente em execução e previstos até 2028, em que se incluem mais dois rebocadores. No que diz respeito às infraestruturas portuárias, os investimentos no mesmo período ultrapassam os 201 milhões de euros, havendo mais de 316 milhões em curso e previstos até final de 2028.