A GS1 Portugal organizou um evento dedicado aos níveis de serviço na cadeia de abastecimento da saúde, no qual foram relevadas as principais conclusões do Estudo de Benchmarking de Saúde, se falou sobre a eficiência de unificar os códigos de barras, e sobre a otimização logística na cadeia de abastecimento da saúde numa mesa redonda que contou com vários profissionais do setor.
Estudo Benchmarking de Saúde
Durante o evento foram apresentados os resultados do Estudo Benchmarking de Saúde – uma ferramenta que permite aos laboratórios farmacêuticos e de dermocosmética avaliar e serem avaliados por farmácias, parafarmácias, armazenistas e grupos de farmácias -, que mediu a qualidade do serviço em áreas como a logística e a relação comercial.
Contribuíram mais de 500 interlocutores (23 laboratórios, quatro parafarmácias de retalho, sete armazenistas, 480 farmácias, e 12 grupos de farmácias). Após uma análise às respostas dadas pelos laboratórios, evidenciaram-se sete tendências na evolução do setor: otimização logística, colaboração na cadeia de valor, desenvolvimento do portfólio, ativação do ponto de venda, sustentabilidade, transformação digital e a exploração de novos segmentos de mercado.
Do lado dos clientes em relação à performance dos laboratórios, foram destacados pontos fortes e oportunidades de melhoria.
Do ponto de vista dos armazenistas, uma das questões que deram mais relevância nesta edição foi a rutura de stocks recorrentes, um tema que, na edição de 2024, estava na quinta posição na escala de importância. Ainda assim, destacaram a boa comunicação e a realização de entregas completas dos pedidos. Como maiores oportunidades de melhoria referiram os prazos de pagamento acordados e as condições comerciais oferecidas.
Já as parafarmácias revelaram como pontos fortes a comunicação diária e a clareza das faturas, e a etiquetagem logística e resolução rápida e eficiente de problemas foram apontados como desafios. As farmácias consideraramm que a força das suas marcas e boa receção dos produtos são muito valorizadas, mas falta mais inovação e realização de atividades nos pontos de venda. Por fim, os grupos de farmácia destacaram a relação comercial, e indicaram que a oportunidade está em oferecer mais formação e partilhar mais informação sobre tendências de mercado.
“One Product, One Barcode”
Raquel Abrantes, diretora de Qualidade & Standards da GS1 Portugal, falou também sobre o constrangimento da multiplicidade de códigos na mesma embalagem, relevando a importância do “one product, one barcode” [um produto, um código de barras], cujo objetivo é que um único código possa servir todos os propósitos: logísticos, de validação, de cumprimento de regulamento, e também para o doente.
Ao obter um único código de barras nas embalagens, o processo de leitura ao longo de toda a cadeia de abastecimento se torna mais claro e simples, permitindo uma recolha de dados mais precisa, e com apenas uma única leitura.
Além disso, a responsável falou ainda sobre a colaboração recente entre a GS1 e a Google, que visa permitir que os códigos GS1 Data Matrix sejam lidos e reconhecidos pelo Google Lens. Desta forma, doentes, cuidadores e profissionais de saúde podem ler o código através do smartphone, e aceder a informação fidedigna sobre o produto, como por exemplo, indicações sobre como tomá-lo.
Informação, comunicação, colaboração e transparência
O evento promoveu ainda um momento de partilha de boas práticas focadas na otimização logística, que contou com a participação de Manuel Pizarro, CEO da ZOR THERMAL, Vitória Nunes, BU director Portugal da ID Logistics, Tiago Seguro, global head of Pharma da Rangel Logistics Solutions, e Gonçalo Nolasco, diretor comercial da Alloga Logifarma. A sessão contou com a moderação de Bárbara Fraga, executive director da Logistema.
Durante a sessão falou-se sobre a importância de ter comunicação muito clara em toda a cadeia, e que os maiores desafios advêm da dificuldade em prever corretamente a quantidade de recursos necessários, no fundo, a imprevisibilidade é um dos pontos mais sensíveis. “Informação é chave”, indicava Vitória Nunes. Destacava ainda que há uma “necessidade absoluta” de ter uma única linguagem, uma vez que as cadeias de abastecimento na área da saúde são muito longas.
Discutiu-se ainda a questão de ruturas recorrentes das mesmas referências, um ponto evidenciado no Estudo Benchmarking de Saúde. Alguns dos motivos apontados pelos oradores que justificam este problema é a falta de forecasts, falta de planeamento, e fatores relacionados com a produção e escassez de matérias-primas. Ficou claro que são fundamentais sistemas de previsão, conhecer a realidade do mercado e ter capacidade logística armazenada.
No fim, sublinhou-se a questão da importância da comunicação ao longo da cadeia de abastecimento, bem como da colaboração e transparência.



