Depois de explicado o racional do formato híbrido do 24 Horas de Logística 2026, a pergunta seguinte é inevitável: o que é que, afinal, se avalia quando as equipas entram em contexto real? Para lá do conhecimento técnico, que decisões contam, que comportamentos emergem e como se desenham desafios que aproximam a experiência da realidade das operações logísticas? Para responder, é preciso olhar para o desenho das provas e ouvir quem coordena.
Para Pedro Queimado, da Kronolog Solutions e a pessoa responsável pela coordenação pedagógica das provas, a fase online não é um simples momento preparatório. É um pilar da experiência: “A fase online é, para mim, um momento essencial de alinhamento. Ajuda as equipas a ganharem método, linguagem comum e uma forma mais estruturada de olhar para os problemas antes de entrarem num contexto operacional exigente.”
Esse alinhamento inicial cria um enquadramento mental que faz a diferença quando o tempo começa a contar. Ao chegarem à fase presencial, as equipas já observam de outra forma, fazem perguntas mais certeiras e percebem melhor o impacto das decisões no sistema como um todo. “Isso nota-se bastante quando o tempo é curto e a pressão é real”, sublinha.
Provas desenhadas para sair da zona de conforto
No desenho das provas, a lógica é clara: retirar conforto para revelar comportamento. “A preocupação é precisamente tirar as equipas da sua zona de conforto. Criar contextos onde a informação não é toda clara, o tempo é curto e é preciso decidir mesmo assim.”
O conhecimento técnico está presente — e é relevante —, mas não é o centro da avaliação. O foco está na forma como as equipas lidam com a incerteza, priorizam, assumem compromissos e mantêm pragmatismo quando não existe uma resposta perfeita. “A operação real é assim no dia a dia”, explica. “É aí que se percebe quem consegue manter clareza quando as condições não ajudam.”
Ao longo dos desafios, surgem padrões que se repetem, mesmo entre participantes com percursos e níveis de experiência muito distintos.
“A comunicação dentro da equipa, o alinhamento rápido sobre critérios de decisão, a gestão do tempo e aquela pausa curta para pensar antes de agir acabam por aparecer de forma quase natural.”
Há também uma aprendizagem transversal que se impõe: toda a decisão implica escolhas e renúncias. Uma realidade comum a qualquer função logística, independentemente do setor ou da dimensão da operação.
A dimensão humana da decisão sob pressão
É, no entanto, quando o plano começa a falhar que a experiência se aproxima verdadeiramente da realidade das operações. Por isso, Pedro Queimado sublinha que “quando o relógio aperta, vê-se como cada equipa reage: como comunica, como gere o erro, como distribui responsabilidades.”
Estes comportamentos dizem tanto — ou mais — do que o domínio técnico. Aproximam a experiência do quotidiano logístico, onde a pressão, a exceção e o imprevisto fazem parte do trabalho. O momento de reflexão posterior, em que se analisa o que foi decidido, com que informação e com que impacto, é muitas vezes onde a aprendizagem se consolida de forma mais duradoura.
No fundo, é isso que o 24 Horas de Logística procura trabalhar nesta segunda camada da experiência: a capacidade de decidir melhor quando as condições não são ideais. Quando a informação é incompleta, o tempo escasso e as consequências reais.
Uma lógica que aproxima a formação daquilo que a logística é, todos os dias, no terreno.
+INFO e INSCRIÇÕES: 24 HORAS DE LOGÍSTICA
NOTA: Esta é a segunda peça da série dedicada ao 24 Horas de Logística 2026. Na terceira parte, o foco estará no papel da Volkswagen Autoeuropa enquanto empresa anfitriã e no que significa abrir uma operação industrial real a uma experiência formativa deste tipo.



