O Gato Preto, cadeia de lojas de artigos para o lar, irá encerrar 10 lojas em Portugal e fechar atividade em Espanha. Bancos e fornecedores terão de perdoar cerca de 18 milhões de euros para ajudar a salvar a marca, segundo o ECO.

As dificuldades financeiras da empresa começaram com a pandemia da COVID-19 e, a partir daí, só aumentaram. O incidente do encalhe do navio Ever Givenn no Canal do Suez, em 2021, originou “ruturas no fornecimento de bens e agravou significativamente os custos de transportes”. Além disto, há ainda a questão da venda de produtos para o lar em plataformas chinesas como a Temu, com “menor preço e qualidade inferior”. A empresa fechou o ano de 2025 com prejuízos na ordem dos 11 milhões de euros.

A administração do Gato Preto ainda contratou a EY para encontrar investidores para entrarem no capital da empresa ou para comprarem todo o negócio, mas não surtiu efeito. Assim, foi criado um plano de reestruturação que visa a redução do número de lojas e de recursos humanos, e focando a aposta no canal online.

Serão encerradas 10 lojas em Portugal e cinco em Espanha, o que originará dezenas de despedimentos. Estima-se que a cadeia de lojas de artigos para o lar tenha de pagar uma indemnização de 900 mil euros aos colaboradores afetos a estas lojas. O dinheiro para esse efeito virá da venda de um armazém “sobredimensionando” para a realidade atual e futura da empresa, e que poderá render 1,2 milhões de euros.

Os fornecedores só conseguirão recuperar cerca de dois milhões de euros de uma dívida que ascende a quase 10 milhões, a serem liquidados durante um período de 10 anos. Já no que diz respeito aos bancos, é pedido um perdão total de juros e comissões, e um de 80% do capital, ou seja, terão de perdoar 9,5 milhões de euros dos 12,2 milhões que o Gato Preto lhes deve para que o plano de recuperação vá para a frente.