As estratégias divergentes dos principais armadores, face à disrupção no Mar Vermelho, estão a aumentar a incerteza no mercado do transporte marítimo de carga contentorizada. Pela segunda semana consecutiva, o Índice Mundial da Drewry Shipping Consultants registou uma queda de 10%, fixando-se nos 2.212 dólares por FEU, num contexto em que decisões operacionais opostas sobre a utilização do Canal do Suez começam a ter impacto direto nas taxas de frete.

Pela segunda semana consecutiva, o Índice Mundial da Consultora Drewry para o Mercado do Transporte Marítimo de Carga Contentorizada, baixou 10% para 2.212 USD/FEU, num mercado marcado pela incerteza, em face das diferentes estratégias seguidas pelos grandes operadores marítimos mundiais relativamente à disrupção no Suez. 

De acordo com a Consultora é previsível o acentuar do decréscimo das taxas de frete nas próximas semanas. As taxas de frete refletem a incerteza que paira no mercado sobre as decisões operacionais dos diferentes operadores marítimos. A CMA-CGM que até aqui tinha sido o operador com maior confiança no retomar na normal Rota via Suez, decidiu esta semana redirecionar os seus três serviços do Extremo Oriente para a Europa, novamente para a Rota do Cabo. 

Em oposição a Maersk, até aqui muito mais conservadora na abordagem à disrupção no Mar Vermelho, decidiu retomar o seu serviço da Índia para a Costa Leste dos EUA via Suez, com o primeiro serviço a acontecer a 26 de janeiro. 

Segundo a Drewry, a retoma do tráfego pelo Canal do Suez deverá ser lenta e gradual, mais condicionada por fatores económicos do que exclusivamente por questões de segurança, de forma a evitar um “colapso catastrófico das taxas de frete”. O desvio prolongado pela Rota do Cabo absorveu cerca de 2 milhões de TEU de capacidade e um regresso imediato dessa oferta ao mercado representaria um aumento de 8% da capacidade disponível. Apesar de outros fatores de risco, como o congestionamento portuário ou os impactos no setor segurador, a consultora antecipa para 2026 uma redução de cerca de 25% nas taxas de frete do transporte marítimo de carga contentorizada.