A logística do futuro não será definida por quem automatiza mais depressa, mas por quem sabe liderar melhor. Pelo menos é essa a convicção de Paulo Sá, executivo com mais de 20 anos de experiência em logística, operações e tecnologia. Ele explica porquê neste artigo de opinião.

A logística atravessa um dos momentos mais exigentes da sua história. Pressão sobre custos, instabilidade geopolítica, exigência crescente dos clientes e aceleração tecnológica estão a redesenhar cadeias de abastecimento em tempo real. O futuro não está distante — já começou.

Neste contexto, a vantagem competitiva na logística não será determinada por quem adota mais tecnologia, mas por quem a integra num modelo operativo coerente, liderado com clareza e propósito.

Automação, dados e Inteligência Artificial são hoje ferramentas indispensáveis. No entanto, a verdadeira diferenciação não vem de correr atrás de todas as inovações, mas de fazer escolhas conscientes — aquelas que colocam a organização ligeiramente à frente da concorrência, num ritmo que a operação e as equipas conseguem absorver.

À medida que sistemas assumem decisões operacionais em tempo real, o verdadeiro desafio da liderança logística passa a ser definir com clareza quais decisões são delegadas à tecnologia — e assumir responsabilidade por essas escolhas.

A transformação logística não acontece à velocidade da tecnologia, mas à velocidade das pessoas. Equipas têm diferentes níveis de maturidade e ritmos de adaptação. Ignorar esta realidade é uma das principais razões pelas quais iniciativas falham.

A experiência operacional mostra que estratégias corretas no papel perdem eficácia quando não consideram o terreno. Liderar logística é compreender processos, fluxos físicos e decisões sob pressão. É essa proximidade ao negócio que permite selecionar soluções tecnológicas que criam valor real — não para seguir modas, mas para resolver problemas concretos.

Cada vez mais, os líderes de logística são chamados a investir em capacidades estruturais como resiliência, visibilidade end-to-end, decisão baseada em dados e escalabilidade. A logística do futuro não será definida por sistemas isolados, mas por organizações capazes de evoluir de forma contínua — com liderança e ambição equilibrada, não apenas com automação.

Paulo Sá