A Jerónimo Martins anunciou o encerramento da Hussel, a sua cadeia especializada na comercialização de chocolates em Portugal. A decisão vai além do retalho, na medida em que resulta da convergência de fatores que refletem desafios centrais para o procurement, nomeadamente os constrangimentos no abastecimento e a escalada dos preços do cacau.

A decisão de descontinuar a operação começou a desenhar-se quando, em 2024, o parceiro alemão do retalhista português, a Hussel GmbH, declarou insolvência, “no culminar de uma trajetória de graves dificuldades financeiras amplificadas pela pandemia” de Covid-19. Este processo pode ler-se em comunicado acabou por pôr fim à parceria em que assentava a operação em Portugal, gerando problemas de abastecimento e perda de escala. “Num contexto de forte subida dos custos sobretudo os relacionados com rendas –, estas dificuldades acabaram por revelar-se insanáveis”, sublinha o grupo.

Na decisão pesou igualmente a “forte e continuada pressão sobre o preço do cacau induzida por uma combinação de fatores”, com destaque para a queda da produção nos principais países produtores, num contexto em que a procura global continua a aumentar, o impacto das condições climatéricas adversas nas colheitas e a tendência regulatória crescente, associada designadamente à anunciada aplicação do Regulamento Europeu contra a Desflorestação.

São fatores que, acumulados, constituem desafios determinantes para as equipas de procurement, num contexto de volatilidade, pressão regulatória e risco crescente nas cadeias globais de fornecimento.

No que toca à Hussel, a Jerónimo Martins refere que não existem “fundadas perspetivas de reversibilidade”, o que sustenta o encerramento das 18 lojas da marca em Portugal, a ocorrer de forma progressiva até 30 de abril de 2026. De acordo com o comunicado, aos colaboradores foi garantida estabilidade de emprego através da integração noutras companhias do grupo em Portugal.