Num mundo cada vez mais pressionado por margens, prazos e expectativas, medir deixou de ser apenas uma questão de controlo. É, acima de tudo, uma questão de direção. Sem indicadores claros, o Procurement corre o risco de operar no escuro, limitando-se a negociar preço sem conseguir provar – e muito menos potenciar – o valor que traz à organização.

Costuma dizer-se que “o que não se mede, não se gere”. Mas será que estamos a medir as coisas certas?

Entre os inúmeros indicadores que circulam nas áreas de Compras e Procurement, alguns são quase universais. Destaco quatro que considero fundamentais:

  • Saving (%) – É o KPI mais tradicional e, muitas vezes, o mais visível. Representa as economias obtidas nas negociações. Mas a verdade é que, sozinho, o saving não conta a história completa. Uma redução de custo pode ser rapidamente anulada por falhas de qualidade ou atrasos.

  • OTIF (On Time In Full) – Medir se as entregas são feitas completas e no prazo é, no fundo, medir a saúde da relação com os fornecedores. Este indicador tem impacto direto no desempenho operacional e na satisfação dos clientes internos.

  • Lead Time médio – Mais do que rapidez, falamos aqui de previsibilidade. Um lead time consistente permite planear melhor, reduzir stocks e evitar ruturas. Muitas vezes, um lead time mais curto vale tanto quanto um desconto agressivo.

  • Cumprimento de SLA – Os acordos de nível de serviço não são apenas cláusulas contratuais. Representam expectativas de qualidade, consistência e confiança. Monitorizá-los garante que a parceria com fornecedores se sustenta no tempo.

No entanto, a escolha dos KPI não deve ser feita de forma isolada ou auto33mática. Um erro comum é copiar dashboards de outras empresas ou adotar métricas da moda, sem refletir sobre a sua relevância.

A minha convicção é simples: os indicadores só fazem sentido se estiverem alinhados com os objetivos estratégicos da organização. O Procurement que ambiciona ser parceiro do negócio não pode contentar-se com métricas operacionais; precisa de olhar para indicadores que traduzam resiliência, sustentabilidade, inovação e impacto na cadeia como um todo.

E, claro, de nada serve medir se os dados não forem analisados continuamente. Um KPI não é um número bonito para o relatório anual: é um alerta precoce, um guia de decisão, um motor para ajustar a rota antes de o desvio se tornar um problema grave.

No final, fica uma pergunta para reflexão: quais são os KPI que realmente fazem a diferença no seu dia a dia?

Haverá algum indicador subestimado que, na sua experiência, tem sido decisivo para gerar resultados reais?

Ricardo Ferreira, Procurement T2D Global Procurement & Contracts (GPC)