Em todo o mundo, os alimentos têm vindo a sofrer aumento de preços provocados por fenómenos meteorológicos extremos. Quem o diz é uma equipa de cientistas do Barcelona SuperComputing Center (BSC-CNS).

O estudo, liderado por Maximilian Kotz – investigador no BSC – analisou 16 casos em 18 países, entre 2022 e 2024, nos quais os aumentos dos preços de determinados alimentos estiveram associados a ondas de calor, secas ou precipitações extremas.

De janeiro a fevereiro de 2024, no Reino Unido, o preço da batata subiu 22% após chuvas de inverno extremas que, segundo os cientistas, foram 20% mais intensas e 10 vezes mais prováveis devido às alterações climáticas.

Já na Califórnia e no Arizona, nos EUA, os preços dos legumes aumentaram 80% em novembro de 2022 após uma seca extrema no verão desse ano que originou falta de água, calor intenso e seca dos solos.

Por sua vez, na Etiópia, registou-se um aumento do preço dos alimentos em 40% em março de 2023, após a seca de 2022 no Corno de África. Os cientistas afirmam ter sido “muito mais intensa” e “cerca de 100 vezes mais provável” devido às alterações climáticas.

A seca de 2022-2023 no sul da Europa provocou, em Espanha e tália, um aumento de 50%, em termos anuais, no preço do azeite na União Europeia em janeiro de 2024.

A nível global, no que diz respeito ao cacau, os preços foram quase de 300% após uma onda de calor na Costa do Marfim, e no Gana dois meses antes. Juntos, estes dois países representam cerca de 60% da produção mundial de cacau.

O mercado do café também sofreu fortes impactos. Os preços, a nível internacional, foram 55% mais altos em agosto de 2024 após a seca de 2023, no Brasil, o maior exportador mundial de café arábica. Os cientistas afirmam ter sido entre 10 a 30 vezes mais provável que este aumento esteja relacionado com as alterações climáticas. Os preços do café robusta – do qual o Vietname é o maior exportador – subiram 100% em julho de 2024, após ondas de calor na Ásia.

Na Índia, o preço das cebolas e das batatas disparou mais de 80% no segundo trimestre de 2024, após uma onda de calor em maio, e no Japão, com um igual fenómeno climático registado em agosto, os preços do arroz foram 48% mais altos em setembro desse mesmo ano, bem como na Coreia do sul que registou um aumento de 70% nos preços da couve, em setembro.

No México, os preços das frutas e legumes foram 20% mais altos em janeiro de 2024 após a seca de 2023.

“Enquanto não atingirmos emissões líquidas nulas, o clima extremo só irá piorar, e já está a danificar colheitas e a encarecer a comida em todo o mundo”, afirma Maximilian Kotz.