Análise da Savills indica que Portugal é um dos mercados europeus mais apetecíveis para a expansão de operações de logística e que a pandemia de COVID-19 reconfigurou as necessidades de armazenamento e fez crescer o comércio eletrónico, dois fatores que estiveram na origem do fortalecimento do setor da logística na Europa.

Portugal encontra-se na lista dos cinco países europeus que conseguem atrair mais investimento para o setor logístico, ficando apenas atrás de França, Alemanha, Espanha e Itália. A conclusão é da análise European Real Estate Logistics Census da consultora imobiliária internacional Savills, que evidencia, também, o papel que a pandemia Covid-19 exerceu no aumento da dinâmica de procura desta classe de ativos.

A maioria dos promotores, investidores e agentes considera que, nos últimos meses, o setor logístico registou um impacto positivo, em muito devido à reconfiguração das necessidades de armazenamento originadas pelos confinamentos e pelo consequente crescimento do e-commerce, que obrigou a uma redefinição das necessidades das capacidades de armazenamento. No entanto, os operadores consideram que os obstáculos levantados pelo combate à pandemia, a par das incertezas quanto ao futuro, vieram condicionar a disponibilidade dos consumidores para efetuar despesas.

Este sentimento negativo face aos impactos da pandemia foi mais sentido por retalhistas, especialmente aqueles que têm uma menor presença online, e que, por isso, não têm capacidade para navegar devidamente a trajetória de crescimento do comércio eletrónico.

Face à reconfiguração dos padrões de comportamento no setor logístico, prevê-se o reshoring de algumas operações. Desta forma, estima-se que 68% dos operadores adotarão posturas mais cautelosas e procurarão reduzir a exposição aos riscos ainda associados à incerteza do panorama pandémico, como disrupções no transporte marítimo e o aumento do preço dos combustíveis. Esta abordagem pode verificar-se também na reorientação das atenções de muitos investidores para mercados de capitais mais core, como França, Alemanha e Reino Unido, um fenómeno que se tem observado um pouco por todo o continente europeu.

Os operadores deverão também aumentar a sua capacidade de armazenamento para acomodar o crescimento da procura através de plataformas online. Por outro lado, a escassez de ativos representa o maior obstáculo ao crescimento do setor logístico na Europa.

Segundo a mesma fonte, cerca de 95% dos operadores logísticos antecipam que precisarão de mais ou do mesmo espaço de armazenamento ao longo dos próximos três anos, sendo que 47% afirma que é muito provável que venha a expandir a sua capacidade de armazenamento. Os operadores 3PL são os que mais deverão expandir os seus armazéns, seguidos dos retalhistas e da manufatura. Assim, 36% dos ocupantes deverão expandir as suas instalações logísticas em mais de 40 mil m2, e 44% entre os 10 mil e os 40 mil m2.

Para os operadores logísticos, França (44%), Alemanha (43%), Espanha (39%), Itália (26%) e Portugal (24%) são os mercados que figuram no topo das preferências dos ocupantes que pretendem aumentar a sua capacidade de armazenamento na Europa, sendo mercados capazes de atrair cada vez mais investimento em logística.

O que procuram os investidores em logística?

A localização dos imóveis continua no topo da lista das preocupações dos investidores, com 89% dos respondentes ao inquérito da Savills a considerá-lo o fator mais importante. Também a segurança dos acordos de arrendamento (83%) e da futura obsolescência do edifício (75%) podem ser decisivos nas escolhas de investimento. Ainda, 74% dos investidores considera a sustentabilidade dos imóveis de grande importância e a quase totalidade já incorpora os princípios ESG nos seus processos de investimento ou pretende integrá-los nos próximos três anos.

Do lado dos promotores de ativos logísticos, 66% considera que a automatização dos armazéns irá ter um impacto significativo nas cadeias de fornecimento durante os próximos 12 meses. A robotização dos armazéns e a transformação de frotas de veículos para acomodar a ascensão da mobilidade elétrica estão também entre os fatores mais influentes na captação de investimento.

Mais de metade dos promotores elenca os custos de aquisição de terrenos e de construção como alguns dos grandes desafios dos próximos cinco anos.

 

Em 2022 procura deverá continuar em alta

A transformação a que se assiste nas cadeias de distribuição motivou um crescimento do mercado nacional, que gerou um recorde de take-up em 2021, acima dos 290.000 m2.

Os fundamentos de mercado subjacentes a este crescimento prendem-se com a necessidade de aumento dos níveis de oferta de qualidade, motivados em grande parte pelo crescimento exponencial do e-commerce e pela imprescindível adaptação a novas tecnologias. No panorama internacional, Portugal afirma-se cada vez mais como um destino para operações logísticas transfronteiriças para servir os mercados ibérico e europeu. Por outro lado, o fenómeno do nearshoring e o potencial do mercado português para atrair investimento para a industrialização contribuem positivamente para que este segmento cresça e seja cada vez mais apetecível para os operadores e investidores.

Os projetos em pipeline previstos para os próximos anos, que totalizam já um volume superior a 400 mil m2, são a prova da entrada numa nova fase determinante para o mercado imobiliário logístico nacional, marcada pela colocação de produto prime, possibilitando o aumento da atratividade do mercado a nível internacional.

Para 2022, Pedro Figueiras, Associate Director de Industrial & Logistics da Savills Portugal, antevê «a continuação da tendência de maior necessidade de área Logística e Industrial, ao mesmo tempo que deverão ser anunciados vários novos projetos por parte dos promotores logísticos.».

«Porém, a pressão de escassez de área de logística dever-se-á manter, dado que só é expectável que estes projectos se concluam em meados de 2023 e 2024, o que permite antever a continuação da tendência de pré-arrendamentos observada em 2021.», destaca.

 

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