Abrandou a situação pandémica, mas também as supply chains, afectadas por vários problemas, desde falta de componentes tecnológicos, escassez de combustíveis, congestionamento do sector marítimo. O resultado está a ser o que se tem vindo a antecipar: aumentos de preços e desaceleração na recuperação económica.

No passado dia 12 de Outubro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento da economia global para 2021, justificando-o com perturbações que têm ocorrido na cadeia de abastecimento em economias desenvolvidas, e apontando receios com a saúde global causadas pela disseminação da variante Delta da COVID-19. De acordo com esta entidade, esta revisão reflecte as rupturas de abastecimento global.

“Estas rupturas são o resultado de uma recuperação muito invulgar”, apontou Petya Koeva Brooks, directora-adjunta do Departamento de Investigação do FMI. Apesar de o normal ser existir uma recuperação após uma crise, neste momento a procura e a oferta não estão em equilíbrio, e nota que “vemos a procura recuperar, mas, ao mesmo tempo, a oferta ainda não recuperou. E vemos o impacto disso em vários sectores”.

Apesar de o FMI apontar para um baixo crescimento, a Moody’s considera que a situação pode mesmo piorar antes de melhorar. Neste momento a crise na cadeia de abastecimento está a aumentar os preços para os consumidores e a desacelerar a recuperação económica global.

Num relatório da Moody’s apresentado no passado dia 11 de Outubro pode ler-se que “à medida que a recuperação económica global continua a ganhar força, torna-se mais susceptível a ser bloqueada por interrupções nas cadeias de abastecimento”.

Devido aos controlos nas fronteiras, restrições de mobilidade, a falta de um certificado global de vacinação contra a COVID-19 e a crise nos transportes de mercadorias geraram uma “tempestade perfeita, onde a produção global é prejudicada porque as entregas não são feitas a tempo, os custos e os preços estão a subir e, como resultado, o crescimento do PIB mundial não será tão robusto”, contou a Moody’s à CNN, apontando que o maior problema desta crise é a falta de motoristas de camiões e transportes pesados, tendo isso agravado o congestionamento nos portos marítimos e a escassez de combustíveis nos postos de abastecimento do Reino Unido.

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