A proposta é da Associação Vale d’Ouro, e pretende promover as regiões de Vila Real, Douro, Trás-os-Montes e Beira Alta através de uma linha férrea de alta velocidade, aproximando as regiões a Norte de Portugal e incluindo ainda uma ligação até Madrid. Outro dos objectivos é também atrair indústrias para a região.

O trajecto entre Porto e Bragança poderá ser reduzido para menos de uma hora e 15 minutos, e prevê uma ligação entre uma futura estação de alta velocidade desde o aeroporto Sá Carneiro até Otero de Bodas, na região de Zamora, com paragens em Paços de Ferreira, Amarante, Vila Real, Alijó/Murça, Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança. Com uma extensão prevista de 265 quilómetros, este troço permitirá acesso à rede de alta-velocidade espanhola na linha de Madrid-Galiza, reduzindo o tempo de trânsito entre a cidade do Porto e Madrid para três horas.

O plano prevê uma construção de 22 túneis e de 40 viadutos e pontes, permitindo circular, no mínimo, 50 comboios por dia (25 em cada sentido), para os serviços regional, intercidades, alta velocidade e de transporte de mercadorias. Perspectiva-se que sejam necessários 20 anos entre o estudo e a entrada em operação da linha, até 2040, mas a associação considera que o prazo pode ser reduzido “com a experiência adquirida na construção da rede de auto-estradas em tempos recorde”.

O custo máximo previsto para esta obra, com duas vias, será de 4,147 mil milhões de euros, contando com contingências e incluindo desvio de até 25% do orçamento, mas a associação reforça que este valor pode ser mais baixo.

Os troços estão divididos em lotes, sendo os respectivos e seus custos previstos associados (via dupla com contingências e segurança e saúde):
Lote A: AFSC- Amarante, 842 milhões de euros (16,2M/km);
Lote B: Amarante-Vila Real, 913 milhões de euros (23,6M/km);
Lote C: Vila Real-Bragança, 1.755 milhões de euros (15,2M/km);
Lote D: Bragança-Otero de Bodas, 636 milhões de euros (10,8M/km).

Numa versão intermédia, com uma via única de circulação e túneis, pontes, viadutos e plataforma em via dupla, a obra custa 3,778 mil milhões de euros, mas para completar a obra o orçamento sobe para 4,187 mil milhões.

A versão mais barata, com via única de circulação, túneis, pontes e viadutos, mas plataforma em via dupla, a obra custa 3,438 mil milhões. Porém, para a duplicar integralmente a linha, a verba sobe para 4,326 mil milhões, mais 180 milhões do que a construção de raiz.

O estudo afirma ainda que a cidade do Porto pode tornar-se na “porta de entrada da Fachada Atlântica na Península Ibérica, e reforçar o peso económico do Noroeste Peninsular no contexto europeu”, e de uma só vez o troço poderá servir o porto de Leixões, o aeroporto Sá Carneiro, os terminais ferroviários de São Martinho do Campo e de Lousado, que já se encontra em construção.

A nível ecológico, o estudo aponta para que os comboios de mercadorias possam circular a uma velocidade máxima constante de 120 km/h, sendo que ao transportarem mais carga e mais depressa, as empresas de logística poderão poluir menos quando comparado com o transporte rodoviário e marítimo, apontando ainda vantagens económicas neste serviço.

Poderá aceder ao estudo completo, com acesso a dados detalhados sobre enquadramentos ambientais e geológicos, custos, troços, entre outros, através do site da associação.

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