De tanto ouvirmos falar em sustentabilidade que esta palavra se tornou moda e obrigatória no léxico de muitas organizações – se não mesmo de todas –, acompanhando assim outras tantas que há muito fazem parte do dia-a-dia como logística ou compras & procurement.

A verdade é que a sustentabilidade, nas suas diversas dimensões, é seguramente a mais importante para a Ervideira e não é de agora. Admito que sustentabilidade financeira é sem dúvida o garante do futuro de uma empresa, mas sem uma sustentabilidade agrícola/ambiental também não haverá qualquer futuro, daí que a preocupação nesta matéria seja fundamental.

Para as empresas que estão intimamente ligadas à terra – como é o nosso caso – dependentes de recursos naturais e do equilíbrio das estações do ano, de uma utilização responsável dos solos, e com preocupações pelo tipo de materiais e produtos que utilizam, a sustentabilidade é vista com total prioridade sendo, por isso, necessário adotar várias medidas hoje rumo a um futuro mais verde e próspero para todos.

E é aqui que o tema da sustentabilidade muitas vezes tem pecado. De tão utilizada, tornou-se parte do storytelling de muitas organizações, muitas delas com pouco storydoing para mostrar.

Neste momento, na Ervideira, estamos a ultimar a certificação com o selo de sustentabilidade, apoiados pela Comissão Vitícola Regional do Alentejo (CVRA), mas com a supervisão de entidades certificadoras. E não se pense que este tipo de processos de certificação são feitos a olho nu já com o comprovativo como garantido. Muito pelo contrário. Quem pretende receber e orgulhar-se de contar com este tipo de certificação, tem de garantir o melhoramento do solo, evitar a erosão do mesmo, assegurar resíduos zero, utilizar fitofármacos específicos não agressivos, e ter cuidado com as máquinas agrícolas que utiliza, entre muitos outros aspetos e pormenores a que temos de estar atentos – e tudo isto apenas relacionado com a parte do terreno!

O investimento e o trabalho dedicado para conseguirmos maiores índices de sustentabilidade passa também pela adega, a organização, a reciclagem, a preocupação com a ETAR, o controlo sistemático dos vinhos, a utilização de cartões, garrafas e outros objetos com elevada percentagem de material reciclado, sem esquecer a reciclagem no final da produção, entre tantos outros. No total, são mais de 100 pontos que têm que ser permanentemente melhorados e cuidados, o que obriga a uma monitorização e evolução constantes, de forma a garantir um futuro melhor para todos os envolvidos, direta e indiretamente.

Para sermos sustentáveis temos de saber reinventar-nos e dedicar tempo (bem sabendo que não dá para tudo) a pensar, pesquisar, ouvir outras pessoas, arriscar, aprender com os erros se for preciso, mas nunca ficarmos conformados. É preciso ter resiliência para mantermos o rumo ao objetivo bem definido e sempre com a perspetiva de que os resultados relacionados com a sustentabilidade podem até ver-se mais à frente, uma ou duas gerações depois, mas que ainda assim isso sirva para que os que cá ficam possam aprender com os bons exemplos e, também eles, adotarem comportamentos mais responsáveis e arriscarem em projetos sustentáveis.

É, por isso, necessário ter-se uma visão mais além do que o sucesso de hoje, os proveitos de amanhã, garantindo um futuro melhor.

Duarte Leal da Costa, Diretor Executivo | Ervideira

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