No ambiente industrial as empresas desempenham a sua atividade no sentido de satisfazer as necessidades dos seus clientes. Estas implementam atividades de transformação direta ou indireta. Assim sendo, as substâncias e matérias-primas utilizadas na indústria da transformação envolvem não só produtos no seu estado final, como também produtos que são a base para a obtenção de outros.

Presentemente, observamos escassez e, por consequência, dificuldade em tornar contínua o abastecimento das diversas cadeias.

A escassez de matéria-prima afeta a capacidade do tecido empresarial em acrescentar valor, não só a nível nacional, como também a nível internacional. Atualmente, a gestão de topo dos diversos setores de atividade queixa-se dos atrasos existentes no fornecimento dos seus materiais, apresentando enormes dificuldades em dar resposta às encomendas.

Uma das principais causas da inexistência de matéria-prima deve-se a uma grande percentagem dessa mesma provir do exterior da União Europeia, nomeadamente, do Continente Asiático e chegar até todos nós por via marítima. A atual situação deve-se ao facto de o mercado Oriental ter regressado à atividade laboral antes da Europa, na retoma após a primeira vaga pandémica.

Face a esta situação, entre outras indústrias, tomamos, como exemplo, o ramo automóvel. As diversas fábricas são obrigadas a planear e replanear de forma constante devido à ausência de semicondutores, uma peça bastante invisível, mas, ao mesmo tempo, fundamental para o desenvolvimento de vários engenhos. Efetivamente, um dos maiores fabricantes está a optar por incorporar os antigos ponteiros que marcam os quilómetros/hora.

Estima-se que, até 2023, existirá uma ausência de componentes eletrónicos para o fabrico do setor automóvel.
Podemos também verificar a mesma problemática nos fabricantes de telemóveis e consolas de videojogos.

Todos estes problemas acima descritos, e, aliados à pandemia da Covid-19, colocaram visíveis as dependências das cadeias globais de abastecimento, uma vez que os primary manufacturers encerraram e o abastecimento esteve suspenso durante vários meses.

A instabilidade existente tem forçado os diversos setores a adquirir por antecipação os seus recursos materiais. Paralelamente a isto, é igualmente do interesse das empresas reduzir os seus stocks. Deste modo, a estratégia baseia-se em solicitar forescasts com prazos entre 6 a 12 meses e, por conseguinte, conseguirem maior capacidade de resposta. Torna-se pertinente uma gestão eficaz, no intuito de balancear e tornar benéfica a junção de todas estas variáveis.

É possível ainda verificar um elevado custo dos fretes marítimos, atingindo não só a aquisição de matérias-primas como também a compra de componentes e exportações. Observamos preços de custo acima do esperado e extremamente voláteis, estando estes valores acima entre os 50% a 100%.

Para as empresas dos diversos setores de atividade, os desafios pós-pandemia consistem em contrair esta inexistência de recursos materiais, produtos intermédios e de contentores, no intuito de melhorarem a médio e longo prazo as suas margens de lucro, não colocando em causa a qualidade dos seus produtos.

Fábio Magalhães | Departamento de compras | Teka Portugal, S.A.

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