O futuro é o contentor digital, mas isso é o futuro, não é o presente.

No presente temos o aumento da população mundial e o crescimento do mercado global a bater recordes atrás de recordes de importações/exportações, conceções, taxa de passagem, etc., tudo graças ao mercado global, ao confinamento, e ao exponencial crescimento do e-commerce.

Este comportamento aumenta a necessidade do transporte marítimo e, por sua vez, da utilização de contentores, que desta feita não têm a garantia de chegarem ao porto de destino, diria mais, a probabilidade de, nos dias de hoje, um contentor não chegar ao destino é tão grande que já me faz lembrar as apostas do Bar Lloyd’s.

Voltando à rota dos assuntos sérios.

1000 – Este era o número médio de contentores perdidos anualmente, mas só no primeiro trimestre de 2021 perderam-se mais de 3.000 contentores em alto mar, o que representa um problema para os Clientes, para os Armadores, para a conservação da natureza e dos ecossistemas e para a segurança de navegação. Devido ao aumento dos riscos de acidentes com outras embarcações que utilizam as mesmas rotas, assistimos hoje à ocorrência de inúmeros acidentes com contentores que estão a flutuar em alto mar.

Esta disparidade de números pode igualmente estar relacionada com causas naturais decorrentes do aquecimento global, com o facto das viagens serem cada vez mais violentas e propícias a acidentes, com mais erro humano e erro de manuseamento e instruções de acondicionamento ou, por outro lado, esta disparidade poderá ocorrer por força do não respeito do peso que os contentores comportam.

Ainda assim, não deveremos confundir a árvore com a floresta, porque são transportados mais de 220 milhões de contentores/ano. Contudo, a queda de contentores em alto mar apresenta os seus problemas, pois uma vez a flutuar não se sabe a sua origem, a quem pertencem, ou o que transportam.

Preocupante? Sim, pois os contentores transportam tudo, desde brinquedos, carros, produtos químicos, cargas perigosas e materiais inflamáveis, que uma vez perdidos ficam a flutuar com um potencial impacto ecológico nas zonas marítimas onde se encontram.

Já existem aplicações e soluções que permitem fazer o trace de cada contentor, perdido ou não, serviços que são sempre opção do Cliente. No entanto, na esmagadora maioria das vezes, o Cliente volta ao tempo do Bar Lloyd’s e aposta que o navio regressa, neste caso que a sua carga chega ao porto de destino.

… mas Poseidon é quem manda e pode não chegar.

Henrique Germano Cardador, Analista de Estratégia Empresarial

 

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