A sustentabilidade é cada vez mais um factor de diferenciação para quem tem de escolher um parceiro de negócio.

É verdade que hoje os temas da sustentabilidade, como a redução da pegada de carbono, o impacto ambiental e a diminuição das emissões de carbono, estão na ordem do dia. Parece que não há empresa, parceiro de negócio ou fornecedor que não sinta a necessidade de ter um statement sobre o tema escrito algures, porque se não tiver, vai sentir que está fora das tendências.

No entanto, estas questões e as questões dos modelos de economia circular são muito mais do que uma moda. Felizmente, os nossos sistemas económicos já perceberam que, se nada for feito, sofreremos danos irreparáveis e irreversíveis.

Nesse sentido, há uma intenção por parte das organizações, sobretudo daquelas que têm uma pegada carbónica maior, de contribuírem positivamente para essa redução. E ainda bem.

Dando o exemplo de uma área concreta a que estou ligada: a das embalagens. Fala-se muito do plástico, fala-se muito do seu consumo e excesso de consumo, fala-se muito do que se pode fazer para o reduzir e parece que anda tudo à procura do El Dorado. À primeira vista, fica-se com a ideia de que se trata de uma área onde muito se fala e pouco se faz.

Mas não é verdade. As embalagens têm áreas que, desde a sua génese, trabalham com modelos assentes nos princípios de uma economia circular. É o caso dos sistemas de pooling para a utilização de paletes e movimentação de cargas, principalmente no grande consumo.

Parte do mercado ainda tem dificuldade em ver isto como um contributo efectivo para a redução da pegada de carbono.

No entanto, os principais operadores europeus de pooling têm vindo a fazer um esforço grande para passar a mensagem de que o seu modelo de negócio é o modelo mais sustentável, quando comparado com as alternativas de utilização de palete de tara perdida, a palete vulgo branca.

Neste sentido, cada empresa tem vindo a assumir compromissos claros na redução da sua pegada, como a adesão a iniciativas como a Lean & Green na Europa, por exemplo.

Mas quando olhamos para as soluções de sustentabilidade das três maiores empresas europeias de pool, levanta-se a questão: o que é que as distingue?

A verdade é que o modelo é o mesmo e as iniciativas são praticamente as mesmas.

Acredito que o que verdadeiramente importa não é tanto a diferença que os principais operadores de pool podem obter para ganhar clientes, mas a diferença que juntos podem fazer para o bem de todos. O que aqui é extraordinário é o facto de a competitividade estar ao serviço da sustentabilidade.

O esforço destes operadores tem sido no sentido de pôr em marcha projectos que reduzam a sua pegada carbónica e, quando tal não é possível, de minorar a pegada que ainda resiste, através de projectos de compensação.

Isso fará a diferença nos próximos anos, porque a implementação de sistemas e processos internos, que reduzem e eliminam a pegada, demora o seu tempo. São projectos que têm o seu progresso normal dentro das organizações. Não se fazem nem de um dia, nem de um ano para o outro. A forma de encontrar alternativas para compensar aquilo que ainda não foi possível reduzir, é através de iniciativas que façam a diferença na hora de decidir que solução de paletes uma empresa vai usar, seja fabricante ou retalhista – ao contrário do que se possa pensar, o impacto de receber uma palete com emissões neutralizadas também se revela nos retalhistas.

Se cada vez mais paletes neutralizadas estiverem em circulação, mais todos nós, parceiros e intervenientes na cadeia de abastecimento, conseguimos ter um papel activo na redução desta pegada e emissões, e contribuir, de facto, para a redução dos efeitos das alterações climáticas no nosso planeta.

Muito já foi feito, muito está a ser feito.

O compromisso com este caminho tem uma particularidade: uma vez assumido não dá para voltar atrás. Não dá para dizer “agora só faço para alguns”, ou “só faço este ano e não faço no próximo”. Obviamente que este compromisso para a vida tem impacto nos custos das empresas que o decidem fazer.

Em rigor, uma empresa até poderá “voltar atrás” se conseguir uma redução efectiva da sua pegada e emissões, pelos seus próprios meios e iniciativas. Mas nunca é fácil, porque há sempre um camião que as foi entregar e um camião que as foi recolher. Para compensar estas emissões que ainda ficam, é preciso aderir a um programa de compensação. Só então a empresa pode dizer que as suas paletes são neutras em carbono e 100% livres de emissões de carbono.

Essa compensação pode ser feita em projectos de reflorestação ou projectos sociais que sejam verificados e certificados, e que permitem dizer que um produto ou serviço é 100% neutro em carbono.

Ou seja, para uma empresa afirmar que entrega produtos 100% neutros, das duas, uma: ou reduziu as suas emissões e compensou as que não conseguiu eliminar; ou reduziu efectivamente a zero as suas emissões, com processos de melhoria contínua e de optimização operacional.

Ambos os esforços envolvem os operadores de pool e têm um valor que vai muito para além do marketing e da mera comunicação. São esforços que devem ser transversais e não apenas pontuais.

Tudo isto é, portanto, possível. Não é só marketing. É um caminho que tem um impacto real na sociedade, na economia, nas cadeias de abastecimento, tornando-as mais sustentáveis, com menor impacto ambiental.

São as empresas que escolheram este percurso diferenciador que devem ser escolhidas como clientes, parceiras de negócio ou fornecedoras. É essa decisão que permite diferenciar entre as que estão comprometidas com a sustentabilidade e aquelas que apenas dizem que estão comprometidas.

Ana Ferreira | Sales and Customer Service Director Iberia | IPP Pooling

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