No decorrer do Portugal Mobi Summit, Dave Murphy, especialista em transportes e planeamento urbano e sócio da Momentum Consultancy, revela em entrevista que em Londres “a tendência é que os grandes centros de logística se retirem do centro da cidade para as periferias, a partir de onde as entregas aos clientes serão feitas cada vez menos por camiões ou grandes carrinhas e cada vez mais por veículos last mile para curtas distâncias”, contrariando algumas expectativas que se possa ter relativamente aos armazéns de proximidade nos centros urbanos.

Apesar de ainda não ter uma grande expressão, o especialista explica que esta é a tendência, sendo compreensível que a transição comece precisamente pelas localizações onde o custo do metro quadrado é mais elevado e só depois se expanda para outras regiões, destacando localizações de maior valor como Westminster, City of London ou Camden, “porque são justamente as que mais benefícios podem retirar dessa transição”, explica.

Com esta mudança para as periferias, as empresas não só evitam como também libertam tráfego das ruas citadinas, pelo que cria desde logo um impacto favorável nas emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. “Há benefícios claros na qualidade do ar, ainda que a nível local e em pequena escala”, afirma Dave Murphy.

Uma das conclusões do Portugal Mobi Summit foi precisamente que no pós-pandemia as entregas B2B perderam a liderança para as entregas B2C. Com a proliferação destas entregas de última milha, a micro mobilidade tomou outra expressão, e a distribuição de produtos por empresas como a Uber Eats ou a Glovo passou a ser feita por diversos tipos de veículos, como motas, bicicletas ou carros, e alguns destes funcionando de forma eléctrica, o que impulsiona a necessidade de pontos de carga em espaços urbanos, ao mesmo tempo que reduz as emissões de carbono.

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