O volume de carga movimentada nos portos nacionais no mês de Março de 2021 registou uma variação positiva homóloga de 0,1%, levando a que o primeiro trimestre tivesse encerrado com um recuo global de 1,9%, correspondente a 418,8 mil toneladas (mt), para um total de 21,4 milhões de toneladas.

O factor mais importante para este desempenho mantém-se centrado na dinâmica dos portos de Leixões e de Sines, respectivamente com uma influência negativa de 1,5 milhões de toneladas (correspondente a -28,4%) e uma influência positiva de 1,1 milhões de toneladas (correspondente a +9,8%), decorrentes das variações maioritárias verificadas nos mercados de Petróleo Bruto e de Carga Contentorizada.

Além da variação positiva de 892,4 mt (+11,6%) no mercado da Carga Contentorizada e do ligeiro incremento de 58,7 mt (+1,3%) no dos Produtos Petrolíferos, induzido pelo aumento verificado no porto de Sines (+397,8 mt ou +12,3%), apenas os mercados dos Produtos Agrícolas e da Carga Ro-Ro registaram acréscimos no primeiro trimestre, de 20,4 mt (+1,8%) e de 16,1 mt (+3,5%), respectivamente.

Dos mercados com comportamento negativo salienta-se o do Petróleo Bruto que registou uma diminuição de 1,16 milhões de toneladas (-30,1%), pois além da referida diminuição em Leixões, também em Sines o seu volume movimentado recua 164,4 mt (-6,3%). A este segue-se, em volume, o mercado do Carvão com uma quebra global de 118,4 mt (-91%), sendo de referir que, não obstante o carvão mineral desembarcado em Sines evolua para o total desaparecimento, ainda se verificou um movimento de 11,7 mt, que reflete uma diminuição de 50,8 mt, a que acresce a diminuição de 67,6 mt de ‘petcoke’ em Setúbal. Assinalam-se ainda quebras de 68,3 mt (-4%) nos Outros Granéis Sólidos, de 0,1 mt (-2,1%) na Carga Fraccionada e de um total de 25 mt no conjunto dos Minérios e dos Outros Granéis Líquidos.

Em termos de volume de carga movimentada por porto, Sines continua a deter uma quota maioritária absoluta, que neste primeiro trimestre ascende a 55,6%, sendo superior à do período homólogo de 2020 em 5,9 pontos percentuais (pp) e a mais elevada de sempre. Leixões mantém a segunda posição, mas vê a sua quota de 2020 reduzir 6,5 pp para 17,6%, sendo seguido sucessivamente por Lisboa, que aumenta 0,8 pp para 10,6%, Setúbal, que diminui 0,1 pp para 7,2%, Aveiro, que reforça 0,4 pp para 6,7% (sendo também a mais elevada de sempre nos períodos homólogos), Figueira da Foz, que reduz 0,5 pp para 1,8%, Viana do Castelo e Faro, com quotas respectivas de 0,4% e de 0,1%.

O movimento de Contentores no primeiro trimestre de 2021 atinge um volume de quase 742 mil TEU e traduz um aumento de 67,2 mil TEU, correspondente a +10% do que no período homólogo de 2020, sendo de realçar a forte influência que o porto de Sines exerce sobre este mercado, no qual representa 59,4%, após acréscimo de 15,8%. Nas posições seguintes seguem Leixões com uma quota de 22,7%, Lisboa com 11,1% e Setúbal com 6,1%, após variações respectivas de -8,6%, +16,9% e +31,6%.

Sines: Transhipment alavanca contentores

O movimento de contentores realizado em Sines é fortemente alavancado nas operações de transhipment, que no primeiro trimestre representaram 72,2% do total de TEU movimentados no porto, após registo de um acréscimo de 62,25 mil TEU, correspondente a +24,3%. Esta situação não tem paralelo em mais nenhum porto, uma vez que o peso do volume de TEU nesta tipologia de operações é de 8,1% em Leixões e de 1,8% em Lisboa, após registo respectivo de uma diminuição de 6,9% e de um assinalável acréscimo percentual de 74,3% (que em valor absoluto representa apenas 623 TEU). Globalmente o volume de TEU movimentado neste segmento de mercado registou um acréscimo de 22,8%.

No segmento de tráfego de contentores com o hinterland observa-se igualmente um comportamento positivo mas de menor expressão, situando-se em +1,3%, em resultado de variações positivas registadas apenas em Lisboa e Setúbal, respetivamente de +16,2% e de +31,6%, sendo que em Leixões é observada a diminuição mais expressiva, de -8,7%, seguida de Sines, onde se cifra em -1,8%, e na Figueira da Foz, quês e traduz por um ligeiro recuo de -0,2%.

O movimento de navios no ecossistema portuário do Continente no primeiro trimestre é caracterizado por 2305 escalas, nas várias tipologias e independentemente da natureza das operações efetuadas aquando da sua estadia em porto, o que reflete uma diminuição de 180 escalas, ou seja, -7,2% do que as observadas no mesmo período de 2020. A estes navios correspondeu um volume de arqueação bruta de 38,54 milhões, o que traduziu um recuo homólogo de 7,95 milhões (-17,1%).
A redução mais expressiva verificou-se no porto de Lisboa, com menos 101 escalas (- 20,9%), seguindo-se os portos de Douro e Leixões com menos 41 (-6,4%), Sines com menos 31 (-6%), Figueira da Foz com menos 24 (-19,8%), para destacar apenas as variações mais expressivas.

Por outro lado, com aumento do número de escalas assinalam-se os portos de Aveiro, Viana do Castelo e Setúbal, a que corresponderam respetivamente mais 14 (+5,4%), mais 9 (+17,3%) e mais 2 (+0,5%).
No que respeita ao volume de arqueação bruta, constata-se a existência de assimetrias em vários portos, sendo de sublinhar o facto de apenas o porto de Aveiro registar uma variação positiva, de 9,1%. Os restantes portos registaram um decréscimo no volume de arqueação bruta, continuando Lisboa a apresentar a diminuição mais significativa, de 4,14 milhões (-49,8%), seguido de Sines com menos 2,25 milhões (- 9,9%) e Douro e Leixões com menos 1,34 milhões (-16,7%).

A repartição do mercado no que respeita ao volume de arqueação bruta, consagra a Sines uma posição maioritária absoluta traduzida por uma quota de 52,9% (mais 4,2 pp do que no período homólogo de 2020), seguido de Douro e Leixões com 17,3% (mais 0,1 pp), Setúbal com 13,6% (mais 1,8 pp), Lisboa com 10,8% (menos 7,1 pp), Aveiro com 4% (mais 1 pp), Figueira da Foz com 0,9% e Viana do Castelo com 0,4%.

No número de escalas a quota mais representativa é detida pelos portos do Douro e Leixões, com 26,2% do total (mais 0,2 pp do que no período homólogo de 2020), seguidos de Sines com 21,2% (mais 0,3 pp), Setúbal com 17% (mais 1,3 pp), Lisboa com 16,6% (menos 2,9 pp), Aveiro com 11,9% (mais 1,4 pp), Figueira da Foz com 4,2% (menos 0,7 pp) e Viana do Castelo com 2,6% (mais 0,6 pp).

O volume de carga movimentado nas operações de desembarque que, tendo ultrapassado 12 milhões de toneladas, ficou -1,09 milhões de toneladas aquém do homólogo de 2020, a que corresponde uma redução de 8,3%, anulando o acréscimo de 670,8 mil toneladas, correspondente a 7,7%, para 9,44 milhões de toneladas, verificado nas operações de embarque.

No primeiro trimestre de 2021 foram observadas variações na actividade de movimentação de carga em 50 mercados resultantes do binómio carga-porto (nem todos, naturalmente, com registo de operações de embarque e de desembarque), constatando-se registos positivos em 22, que totalizaram mais 1,91 milhões de toneladas, e negativos nos restantes 28, num total de menos 2,32 milhões de toneladas.

Exportação vs. importação

Dos 42 mercados onde se registaram operações de desembarque, constata-se uma diminuição total de 1,94 milhões de toneladas observada num conjunto de 23 destes mercados, tendo os restantes movimentado mais 847,3 mt do que no primeiro trimestre de 2020.

Dos mercados onde se realizaram operações de desembarque, que, como referido, apresentam maioritariamente um comportamento negativo, destacam-se o do Petróleo Bruto de Leixões e de Sines, sendo a quebra do primeiro substancialmente mais expressiva do que a do segundo, atingindo respectivamente um milhão de toneladas, correspondente a menos 80,3% e que representa 51,6% do total de quebras apuradas, e menos 136,9 mt (-5,3%). Recorda-se que este comportamento se insere no contexto da cessação da produção de combustíveis na refinaria de Matosinhos.
As variações positivas mais expressivas no volume de carga desembarcada são da Carga Contentorizada em Sines, que atinge 370,3 mt (+17,5%) e representa 43,7% do total, a que se seguem os Produtos Petrolíferos de Leixões e de Aveiro com crescimentos respectivos de 101,3 mt (+49,8%) e de 82 mt (+80,4%).

Importa assinalar as quebras significativas do volume desembarcado de Produtos Petrolíferos em Lisboa e Sines, de 127,9 mt (-48,2%) e 119,3 mt (-7,2%), bem como da Carga Contentorizada em Leixões que se cifra em 126,6 mt (-14,3%).
Nos 40 mercados onde se registaram operações de embarque, foram assinaladas variações positivas em 17 num total de 1,44 milhões de toneladas e negativas em 23 com um total de menos 770,2 mt.

Dos mercados com um desempenho negativo nas operações de embarque, destaca se o dos Produtos Petrolíferos de Leixões, cuja quebra ascende a 406,2 mt (- 67,1%), que representa 52,7% do total das variações negativas apuradas. Na posição seguinte surge a Carga Contentorizada de Leixões com uma quebra de 70,9 mt (- 7,3%).

Não obstante o volume de carga desembarcada ser globalmente superior ao da carga embarcada em +27,2%, existem portos onde se verifica uma situação inversa, conferindo-lhes a associação ao perfil de porto exportador.

No primeiro trimestre de 2021 encontram-se nesta situação os habituais portos de Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro, cujos rácios calculados entre o volume de carga embarcada e o volume total de carga movimentada, assumem, respectivamente, os valores percentuais de 74,8%, 70,7%, 56,7% e 100%, movimentando 1,24 milhões de toneladas, correspondentes a 13,1% do total de carga embarcada no Ecossistema Portuário do Continente, sendo que 9,3 pp desta quota pertencem a Setúbal.

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