A médio prazo, ou talvez mesmo já no curto prazo, o sector dos transportes rodoviários irá sofrer uma fortíssima mudança com o gigantesco impacto que as baterias automóveis e o hidrogénio irão promover como alternativas primárias de energia combustível.

O mundo e os seus cidadãos estão cada vez mais preocupados com a pegada carbónica, procurando energias mais limpas que possam pôr de parte da dependência das energias fósseis que são utilizadas desde a revolução industrial, e é certo e sabido, que os veículos automóveis são um dos grandes responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera.

O mundo continua paulatinamente a girar no seu dia-a-dia, e todas as empresas ligadas ao sector logístico têm de continuar a efetuar as suas atividades, assegurando que qualquer determinado produto vai do ponto A até ao ponto B, mantendo clientes e fornecedores satisfeitos com o serviço prestado.

Uma grande parte da população mundial permanece cética relativamente ao facto das baterias elétricas poderem vir a ser uma solução viável, e nesse contexto, poderem vir a alimentar veículos pesados, tanto devido ao peso destas viaturas, como devido às distâncias que são percorridas diariamente.

Afirmo desde já que, na minha ótica, só num caso muito especifico, é que o combustível fóssil, mais concretamente o gasóleo, será uma mais valia, que é quando falamos numa viagem de vários dias seguidos, com dois motoristas a alternarem a condução do veículo entre si, obtendo-se, desta forma, um alcance diário de cerca de 2.000 quilómetros.

Verifica-se atualmente que mesmo percorrendo distâncias longas, os condutores percorrem no máximo cerca de 750 quilómetros por dia, além de que atualmente uma grande parte dos camiões ou voltam ao final do dia às suas bases logísticas ou pernoitam apenas em locais autorizados pelas entidades governamentais, criando estes dois factos o cenário ideal para o carregamento de baterias em período noturno.

Além disso ainda existe a ideia, de certa forma romântica, de que os camionistas passam dias a fio nas estradas, conduzindo, quando esse cenário se tornou extremamente raro, hoje em dia as equipas de gestão operacional procuram assegurar que o seu trabalhador irá efetuar o transporte do produtos entre o ponto A e o ponto B, seguindo posteriormente para o conforto do
seu lar.

Falando agora num exemplo, concreto, o Tesla Semi será um veículo totalmente elétrico, e cuja produção encontra-se prevista ainda para este ano corrente de 2021, a Tesla anunciou que este terá um alcance de 805 km com as baterias completamente carregadas e que será capaz de percorrer cerca de 640 km após uma carga de 80% em apenas 30 minutos usando um mega carregador solar.

Verifica-se igualmente que as baterias estão a ficar cada vez mais leves, o que pode resultar numa grande economia de peso no momento de se substituir um motor tradicional por um elétrico, e até mesmo com a diminuição do tamanho das baterias e do respetivo peso, podemos vir a ter um motor elétrico por eixo ou mesmo por roda.

Acredito que num espaço de poucos anos teremos inclusivamente camiões a transportar mais carga do que atualmente se verifica, ajudando ainda mais a termos um mundo mais limpo com a certeza de que estará por cá para ser usufruído pelas gerações vindouras.

Marco Morgado, Supply Chain & Operations Management

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