A retalhista francesa Auchan criou uma central de compras exclusiva para gerir as compras da empresa em nove dos 11 mercados em que se encontra presente, a U2A, envolvendo França, Luxemburgo, Espanha, Portugal, Hungria, Polónia, Rússia, Ucrânia e Roménia.

Esta central de compras tem como objectivo a optimização dos sortidos com os principais fabricantes de bens de consumo, desenvolvimento de planos de negócio, partilha de dados e promoção de projectos internacionais de responsabilidade social colaborativa ou supply chain.

Em entrevista à revista francesa LSA, Thierry Aouizerate, director de produtos alimentares e não alimentares da Auchan Retail, conta que estes nove países “decidiram juntar uma série de tópicos, incluindo o das negociações sobre serviços aos fornecedores de grandes marcas internacionais”. A responsável por esta operação será a Patinvest, o centro internacional de serviços localizado no Luxemburgo e stakeholder da anterior prestadora deste serviço Horizon International Services (HIS).

Thierry conta que a U2A funcionará através de “uma equipa da Patinvest que será reforçada com analistas de dados e compradores internacionais. Temos um primeiro nível de coordenação com todos os países e uma reunião mensal de directores de produtos (directores de compras em língua Auchan). Um grau acima deste nível, haverá com uma comissão de acompanhamento, composta por directores-gerais para validar as principais orientações de compra do comité de compras”, e que “cada país manterá as suas rondas de negociações. Os países estão a trabalhar num enquadramento, um resumo inicial que voltará à Patinvest este Verão. Seguir-se-á uma ronda de negociações internacionais que deverão ter lugar de modo a devolver rapidamente a mão aos países, a fim de poderem conduzir as suas próprias negociações com os seus próprios homólogos (plano comercial, merchandising, etc.), com as negociações internacionais a tornarem-se participantes nas discussões locais. E assim que as discussões locais terminarem, serão implementados acordos locais e internacionais. Claramente, o internacional e o local estão 100% alinhados. E é por isso que pedimos aos fabricantes que invistam em ambos os níveis”.

O responsável também explica que com esta nova central de compras o contacto entre o fabricante e a marca será “facilitado e mais focado na nossa capacidade de execução, no desempenho do fabricante dentro das nossas lojas em todos os nossos nove países, bem como na sua quota de sortido”, comenta.

“As MDDs [Marcas de Distribuidor] são fortes e ocuparão mais espaço nos nossos lineares e na nossa política comercial. Os produtos locais, por outro lado, têm vindo a desenvolver-se fortemente há anos e isso acelerou desde a crise sanitária. O local e as MDD não vão passar pelos U2A”, avança ainda Thierry à LSA, acrescentando que a quota de marcas fabricantes está a diminuir gradualmente, e que o ponto de partida é o cliente e compreender as suas expectativas, definir uma oferta em conformidade, e a partir daí estabelecer uma política de compra.

“Os gestores de categorias de cada país definirão a sua política de oferta para satisfazer as necessidades. A soma dos retornos dos países dar-nos-á as nossas especificações. Queremos recuperar o controlo dos sortidos, uma mão que nunca deveríamos ter perdido”, explica, “tínhamos hipermercados muito grandes e procurávamos produtos para encher as prateleiras. Hoje passamos de uma lógica de distribuidor para a do selector”.

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