Por enquanto não há sinais de bonança para as cadeias de abastecimento. Agora foi nos Estados Unidos que o alarme soou, com os exportadores de produtos horto-frutícolas prestes a aumentar o seu longo catálogo de infortúnios.

Guerras comerciais, clima severo, restrições de capacidade, falta de contentores, agora é a perspectiva das paletes serem insuficientes para as necessidades de expedição.

Depois de 2020 ter sido um ano de grandes perdas para a agricultura e indústria de produtos alimentares norte-americana (cerca de US$ 1,5 bilião em exportações perdidas), além de centenas de milhões de dólares em encargos, de acordo com a Agriculture Transportation Coalition; agora, a United Fresh Produce Association (UFPA) fez disparar o alarme em relação às paletes, alertando que as exportações estão novamente em risco.

Segundo a UFPA, as paletes são cada vez mais difíceis de obter, destacando mesmo o caso de um agricultor informado por um fornecedor de paletes que não aceitaria encomendas de novos clientes porque não conseguia satisfazer a procura da actual carteira de clientes.

De acordo com a mesma fonte, a crescente escassez de paletes é o resultado de uma convergência de factores: importadores e distribuidores têm vindo a acumular stocks, pois o reabastecimento está em alta e as empresas querem evitar interrupções no abastecimento por ruptura de stock; situação agudizada por tempos de permanência de inventário mais longos.

Por outro lado, muitas vezes as paletes não estão no lugar certo – geralmente um problema menor -, mas a falta de capacidade de resposta do transporte rodoviário tornou mais difícil a reposição das paletes.

Por seu turno, os fabricantes de paletes também têm sentido dificuldade na obtenção de madeira, o que tem tido reflexos na sua capacidade de reparar e produzir novas paletes. Acresce que a corrida à madeira fez com que os preços subissem drasticamente: entre 200% e 350%, diz a UFPA, com os preços das novas paletes a aumentarem também cada vez mais.

Chris Connell, vice-presidente sénior de produtos perecíveis para a América do Norte da Commodity Forwarders, uma empresa Kuehne + Nagel, diz que a falta de paletes estava a surgir no radar das pessoas. “Estamos a superar, mas os preços aumentaram”, acrescentou.

Uma alternativa às paletes de madeira é o recurso às de plástico. Contudo, há aqui um acréscimo de custos cuja factura ninguém quer pagar: é que uma palete de plástico é três vezes mais cara do que a de madeira.

A UFPA vê necessidade de uma ampla acção para lidar com a crise que se aproxima. “Se não houver um esforço coordenado em toda a cadeia de abastecimento para garantir a disponibilidade de paletes para o embarque dos produtos, há poucas dúvidas de que será muito difícil, senão impossível, para a comunidade de produtores/transportadores dar resposta à procura do comprador e, em última instância, do consumidor”, disse. Mas a previsão é que o problema persista por meses, possivelmente até ao final deste ano.

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