Da Cimeira do Porto, ao projeto Reskilling 4 Employment (R4E) e a parcerias com as Instituições de Ensino Superior (IES).

A logística é baseada numa confluência de fatores que permitem responder às mais diversas necessidades, sejam elas de mercado, ou poderemos afirmar que são uma resposta à satisfação de necessidades (genéricas). Surge perante certos impulsos, os quais se podem traduzir como pedidos que necessitam de resposta, tendo esse processo de passar por fases de planeamento, implementação e controlo. 

A logística, como função dependente, é um elemento que por si só não se torna eficaz e eficiente no controlo dos seus fluxos (físicos), pois é complementada pela informação (fluxos informacionais), os quais antecedem e acompanham todos os fluxos físicos, permitindo criar uma agilização na capacidade operacional e de controle tornando-a cada vez mais competitiva.

Para operacionalizar e capacitar a logística de respostas adequadas são necessárias pessoas, equipamentos e tecnologias, sendo o seu relacionamento uma trilogia em inovação moderna: pessoas + equipamentos + tecnologias = conhecimento logístico, traduzindo-se em sucesso.

Sendo o conhecimento o “veículo” que permite às organizações desenvolverem as suas atividades de forma produtiva e a logística ser o “motor” económico que implementa e desenvolve soluções de resposta às diversas necessidades da organização, esta deverá estar servida de profissionais dotados de conhecimento especializado, que detenham capacidade de medição e de avaliação no acompanhamento dos processos logísticos, permitindo às organizações melhorarem as suas metodologias e tempos de operação introduzindo novas soluções tecnológicas que irão criar o efeito de sinergia, onde a eficiência é mote, ou seja: pessoas + tecnologia = eficiência, indicador de fazer mais com menos (maiores resultados com menos meios e menos custos).

Dada a introdução anterior, leva-nos ao tema deste artigo de opinião, onde a necessidade de formação “atualizada” para obtenção de conhecimento é essencial para o “saber fazer”, tendo relevância o conceito de Formação ao Longo da Vida, onde as aprendizagens de hoje podem ser complementadas/atualizadas num futuro próximo, numa perspetiva de possibilitar o  reconhecimento de competências e valências adquiridas nos mais diversos tipos de contexto, fazendo acompanhamento onde a inovação impera, tornando o ciclo de vida das soluções limitado no tempo, obrigando a atualizações constantes de conhecimento.

Algumas iniciativas da atualidade vão ao encontro desse reconhecimento:

  • Nos dias 7 e 8 ocorreu no Porto, por iniciativa da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, a Cimeira Social do Porto (Porto Social Summit), onde estiveram presentes 27 líderes dos países europeus, propondo três metas principais a atingir até 2030, sendo uma delas: “Pelo menos 60% dos adultos devem participar anualmente em formação”.

  • Em consonância com o ponto anterior, foi implementado o projeto europeu para requalificar um milhão de profissionais desempregados ou em profissões em risco até 2025 – Reskilling 4 Employment (R4E) “Requalificar para o Emprego” – nova iniciativa de formação europeia, onde a Sonae está presente como promotor.  “No primeiro ano, o programa R4E vai arrancar com projetos-piloto em três Estados Membros: Portugal, Espanha e Suécia. Para além da Sonae, o grupo de empresas impulsionadoras do programa inclui, nesta primeira fase, AstraZeneca, Iberdrola, Nestlé, SAP, Telefónica e Volvo.” (segundo site hrportugal.sapo.pt consultado em 12/05/2021).

     

  • Cada vez mais empresas procuram parcerias com Institutos de Ensino Superior (IES) por forma a dotar os seus quadros de conhecimento para que possam estar preparados para a realidade aos dias de hoje, bem como para os desafios vindouros, tornando esse investimento numa ferramenta que lhes permita absorver o conhecimento adquirido em prol do desenvolvimento da organização. São exemplos: parceria SonaeEscola Superior de Ciências Empresariais/IPS com o Mestrado em Logística e Gestão da Cadeia de Abastecimento; parceria entre a DeloitteEscola Superior de Tecnologia de Setúbal/IPS com o Curso Técnico Superior Profissional em Tecnologias Informáticas;  Associação de Transitários de Portugal (APAT)Instituto Politécnico da Guarda (IPG) com a Pós-Graduação em Logística; Diversos organismos, como Associação Portuguesa de Operadores Logísticos (APOL), a Associação dos Transitários de Portugal (APAT) e a Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (AGEPOR) entre muitos outros – Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL) com a licenciatura  em Comércio e Negócios Internacionais; são exemplos da necessidade de dispor de conhecimento (específico/abrangente) por forma a responder a necessidades organizacionais.

Hoje, a “ferramenta” que conduz à produção de riqueza é o conhecimento, que assenta na capacidade de tomar decisões assertivas e na capacidade de saber/fazer. Os desafios tecnológicos são a ajuda que interpõe a capacidade de gestão e a capacidade operacional, sendo o nível de conhecimento individual imprescindível, propiciando altos níveis de desempenho quando esse mesmo conhecimento é desmultiplicado por toda a equipa.

Carlos Alves, Professor do Ensino Superior em Ciências Empresariais e especialista em Gestão Logística

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