O bloqueio do Canal do Suez pelo porta-contentores Ever Given, da taiwanesa Evergreen, há três dias, está a provocar a retenção de carga avaliada em 9.600 milhões de dólares diários (8.100 milhões de euros), segundo avançou hoje a Lloyd’s List.

A mesma fonte calcula que o tráfego até ao ocidente através do Canal tem um valor diário de 5.100 milhões de dólares (4.322 milhões de euros) enquanto que em direcção a oriente está avaliado em 4.500 milhões de dólares (3.800 milhões de euros).
Pelo menos 237 navios, incluindo 24 petroleiros e 41 porta-contentores, continuam a aguardar a possibilidade de cruzar o Canal, por onde é movimentado mais de 10% do comércio marítimo mundial e 25% dos contentores, avança ainda a Lloyd’s List.

O presidente da Autoridade do Canal do Suez, Osama Rabie, anunciou hoje que os trabalhos para retirar a areia da proa do porta-contentores, encalhado desde terça-feira (23 Março) numa das margens, após uma tempestade de areia, estão concluídos em 87%, após a retirada de cerca de 17.000 metros cúbicos de areia.

A Autoridade do Canal do Suez, que suspendeu ontem, quinta-feira, temporariamente, o tráfego por via marítima, está a contar com o apoio da japonesa Shoei Kisen, proprietária do navio, e da multinacional Bernhard Schulte Shipmanagement, gestora da mercadoria.

Entretanto, as autoridades egípcias reabriram uma passagem antiga do canal para desviar algumas embarcações, segundo a BBC, mas reabrir a via principal poderá levar semanas, apesar de as equipas que estão no local estarem a trabalhar incansavelmente para desencalhar o MV Ever Given. Rebocadores e retroescavadoras operam em contra-relógio para desbloquear a via marítima que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho e que é o ‘caminho’ marítimo mais curto entre a Europa e a Ásia e por onde passa cerca de 12% do comércio global. Mas, nem com a maré alta está a ser possível mover o gigante dos mares.

A Autoridade Egípcia do Canal do Suez anunciou que pelo menos 150 navios já sofreram com esta interrupção e hoje, durante a manhã, havia “13 navios da rota norte [provenientes do Mediterrâneo] parados em áreas de esperar”, explicitou o porta-voz, George Safawat.

Paralelamente, os especialistas estão unidos e são consensuais num ponto: o que aí vem. Em todas as publicações da especialidade o que já ecoa e é debatido são as implicações que este bloqueio acidental terá no comércio global e, mais importante, nas taxas de frete que já andavam voláteis.

FOTO Lusa
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