A região autónoma chinesa de Xinjiang é a responsável pelo aprovisionamento de 20% de todo o algodão mundial, e recentemente tem sido alvo de críticas relativamente às suas práticas laborais. Por isso e também devido à preocupação crescente das empresas relativamente à sua cadeia de abastecimentos, aponta-se a criação de centros de aprovisionamento alternativos noutros mercados e o fortalecimento da rastreabilidade como a solução para uma cadeia de abastecimento mais humanitária e ética.

Apesar das questões aliadas à produção de algodão, aquela região fornece um quinto de todo o algodão do mundo, e é a maior exportadora de têxteis e vestuários da China. De acordo com a análise da CSIS Human Rights Initiative, cujo objectivo é lutar contra o trabalho forçado, os principais players da indústria têxtil devem trabalhar em conjunto para desenvolver oportunidades alternativas de aprovisionamento. O estudo envolve estratégias de governos, organizações e empresas que pretendem erradicar o trabalho forçado em Xinjiang.

De acordo com o relatório “Addressing Forced Labor in the Xinjiang Uyghur Autonomous Region: Collective Action to Develop New Sourcing Opportunities”, divulgado pelo just-style.com, para acelerar o desenvolvimento de centros de aprovisionamento alternativos livres de práticas menos éticas, devendo existir um esforço em conjunto para incentivar a longo prazo o investimento em novas localizações. O relatório também defende que os direitos internacionais e as normas ambientais devem constituir um elemento fundamental na estratégia aplicada por todas as entidades. No entanto, os especialistas consideram que a criação destes hubs deva demorar cerca de 10 anos.

Segundo o relatório, os novos centros de produção de têxteis, vestuário e calçado devem ser integrados vertical e preferencialmente na região chinesa, o que “requer um investimento significativo em fábricas de fios e tecidos, que precisam de equipamentos caros e também de trabalhadores qualificados, sem proporcionar retorno, durante vários anos, sobre o investimento aplicado”.

“Para estabelecer novos centros, um país ou uma região deve providenciar incentivos apropriados, como uma infra-estrutura adequada, um amplo investimento, direitos do trabalho, protecção ambiental e oportunidades para a qualificação dos trabalhadores”, pode ainda ler-se no documento.

Através desta diversificação, não só é possível a eliminação do trabalho forçado, mas também uma maior flexibilidade e ainda resiliência e diminuição de impactos na cadeia de aprovisionamento. Quando devidamente implementada, espera-se que esta diversificação possa ainda ajudar os objectivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, visto que promove o trabalho digno e vai ao encontro das normas ambientais mais rígidas.

Independentemente do sector, a China desempenha um papel crucial para ele, e dentro do têxtil não é excepção, segue toda a linha de produção, como cultivo, fiação, tecelagem ou confecção. A diversidade permitiu ao país obter um papel dominante na indústria têxtil e vestuário, tendo em 2019 exportado quatro vezes mais produtos, em termos de valor monetário, que o Bangladesh, o segundo maior exportador.

Alguns dos países que podem criar um grande impacto na cadeia, pelas suas possibilidades de produção ou pelas suas dependências da China, são o Vietname, Bangladesh, Índia, Indonésia, Paquistão, EUA, México e outros países da América Central, Turquia, África Oriental e Ocidental.

Recordando acontecimento anteriores, já em 2013 os EUA proibiram a importação de algodão e de tomate da região chinesa de Xinjiang devido aos mesmos problemas.

Share This

Partilhar este artigo