A encerrar o segundo dia da Procurement Digital Conference a proposta foi numa animada mesa redonda desmontar o tema: “Tempos imprevisíveis, tecnologia vital”.

Coube a Alexandra Azevedo, da Quay, assumir o comando da conversa e, em conjunto com Cristina Duarte, global procurement director Portugal & synthetics da WireCo World Group, Susana Guerreiro, director of procurement na Finlog e Bernardo Cartolano, supply chain director da Polisport, analisar o papel que a tecnologia assume nas compras e procurement, nomeadamente para as organizações dos nossos oradores.

Alexandra Azevedo pegando em várias fontes, começa a conversa lançando dados que à primeira vista até se apresentam contraditórios. Se não, vejamos. Mais de 90% das empresas globais estão ainda a trabalhar para conseguir integrar e cumprir os seus objectivos da transformação digital. Ou seja, estão definidos, estão identificados, sabem onde querem chegar, mas a verdade é a larga maioria ainda está a caminho da implementação. Mas, por outro lado, há estruturas mais ágeis que dizem que não há desculpa para que os departamentos de compras não implementem uma solução, ainda que mais básica, nas suas organizações. E depois há ainda as empresas que consideram que o mais acertado é atrasar a implementação do digital enquanto a política de compras não estiver bem definida. “Penso que a experiência das vossas organizações nos vai ajudar a perceber em que fase se encontram e também se esta situação que estamos a atravessar atrasou ou veio acelerar o investimento na transformação digital”, desafia ela.

No caso da WireCo World Group, Cristina Duarte explica que o grupo internacional a que pertence tem sofrido muitas alterações ao longo do tempo. “A WireCo é 80% aço e 20%sintéticos, sendo que em Portugal temos seis fábricas: cinco de sintéticos e uma de aço, sendo que eu tenho a responsabilidade das compras em ambas as áreas. Ao nível dos aços estamos a dar continuidade ao plano que iniciámos em 2018 e que passa por homogeneizar processos entre todas as empresas do grupo da área de aços, estando a implementar um ERP comum, que vai arrancar no México já em Janeiro. Tudo foi visto e planeado”.

Cristina sabe que ainda terão algumas dores de cabeça especialmente pelo universo de empresas envolvidas e em geografias tão distintas, como é o caso. “Mas vai ser muito bom em termos de sinergias, porque nós somos clientes e fornecedores uns dos outros e por isso temos toda a vantagem em ter processos homogéneos e iremos tirar partido disso no futuro”, salienta a global procurement director.

No que diz respeito aos sintéticos, o processo foi de aceleração. Devido à pandemia, houve necessidade de cortar custos e não foi na área do digital, “infelizmente, foi nas pessoas e tivemos que tentar melhorar em termos de rentabilidade. Para isso integrámos dois centros de distribuição que tinhamos na Holanda na nossa operação em Portugal e no nosso ERP e a partir do início do próximo ano já estarão devidamente integrados, com o máximo de operações, kanbans, etc., para podermos alcançar maiores vantagens”, explica.

O ERP, no caso da WireCo, veio alavancar a digitalização de todos os outros processos e são vários os projectos que estão a acontecer. Não menos importante é o facto das pessoas fazerem parte de toda esta mudança que está a acontecer e serem envolvidas nos processos.

Na Finlog, Susana Guerreiro revela que a palavra de ordem é transformar. “E transformar desde o básico, ou seja, começar pelas bases e só depois pensar estrategicamente. Todos os nossos investimentos e o olhar para o futuro é sempre a pensar na transformação e onde é que queremos acelerar”. O grande desafio segundo ela deriva do facto de “estarmos a construir o avião e a pilotá-lo ao mesmo tempo. Este é que é o desafio diário, assim como trabalhar o mindeset das pessoas e pensar como iremos fazer a aceleração da introdução da tecnologia”. Ainda há muita folha de cálculo pelo meio, mas o objectivo “é trabalhar a relação com os fornecedores online, começar a implementar mais os KPI’s, termos o nosso portal…”.

Na Polisport, a maturidade digital é grande. Bernardo Cartolano salienta que já têm o ERP há mais de 15 anos, além de diversas plataformas direccionadas para o procurement, “fruto de desenvolvimento interno e que denominámos E-quotation e E-procurement, que já estavam a funcionar antes da pandemia, embora haja uma série de projectos em curso desencadeados já no período Covid. Pegando nas palavras da Susana Guerreiro, eu diria que estamos a construir o avião em voo. Ou seja, já levantámos voo mas a construção do mesmo prossegue”, pois havia alguns projectos já em roadmap e que foi necessário acelerar.

Planeamento é fundamental. Não adianta querer digitalizar tudo, até porque as necessidades variam de empresa para empresa. Importante é perceber e conhecer as reais necessidades de cada departamento de procurement dentro da organização e, aí sim, executar. O digital está aí e não há como fugir. Ignorar essa realidade é correr o risco de ficar em terra, quando todos os outros já estão a voar.

É caso para dizer que nem o céu é o limite para os profissionais de compras, que agarraram os comandos e levaram-nos num voo muito interessante no que diz respeito à digitalização. A reportagem completa fica para a edição #17 da nossa revista.

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