A Nestlé seleccionou a fábrica do Porto para apostar no embalamento de café torrado com um novo material plástico, sem alumínio, e pronto a reciclar, segundo avançou o ECO.

Na unidade de produção de São Mamede de Infesta, no Porto, produz-se, anualmente, 14 mil toneladas de café torrado e moído das marcas Buondi, Sical, Tofa, Christina, Nescafé e Starbucks, e é a partir daqui, aqui que vários milhões de toneladas de café são torrados, moídos, embalados e enviados para todo o mundo. Quase 60% da produção da fábrica segue para a exportação. Neste momento, espera-se que esta seja a unidade de produção mais sustentável.

Em Setembro de 2020, a fábrica destacou-se pela sua capacidade de inovação em material de embalagem através do projecto Ready to Recycle, totalmente desenvolvido a partir de Portugal, e que será posteriormente replicado noutros cantos do mundo.

A marca Buondi lançou então uma nova embalagem pensada e criada de raiz para ser 100% reciclada. Apesar de continuar a ser feita de plástico como antes, agora já não tem a segunda camada de alumínio que impedia que fosse reaproveitada e reciclada depois de utilizada, ou seja, até ao momento, milhões de embalagens de café torrado produzidas no Porto seguiam para aterros ou incineração assim que eram esvaziadas. Agora já seguem a partir da fábrica com a oportunidade de poderem ser recicladas devidamente.

A Nestlé, dona da Buondi, garante que esta inovação permitirá eliminar o consumo anual de 2,2 quilómetros quadrados de alumínio, bem como reduzir o consumo de água e energia necessários para produzir este material.

A multinacional suíça já está a apostar na área de Investigação e Desenvolvimento para criar plástico alimentar reciclado que cumpra todas as regras de segurança, pois o plástico reciclado das embalagens Boundi não poderá transformar-se numa embalagem de café ou num copo de iogurte, mas sim de um detergente, por exemplo. Desta forma, a Nestlé pretende ser neutra em carbono em 2050 e assumiu o compromisso de tornar as suas embalagens 100% recicláveis ou reutilizáveis até 2025, uma vez que, actualmente, apenas 87% o são.

Neste momento, a fábrica do Porto só utiliza energia eléctrica 100% proveniente de fontes renováveis, “é uma fábrica inovadora na sustentabilidade e, nos materiais recicláveis vai à frente de outras por ser mais pequena e ágil”, refere Rui Vieira, director da unidade de produção.

No armazém, os enormes sacos com capacidade para 1.100 quilos de café verde são empilhados e armazenados por origem, espécies e certificação. Ali estão guardados entre 700 e 800 toneladas de café verde, o suficiente para um mês de produção, de acordo com o director. É comprado com três meses de antecedência e chega ao Porto em contentores de 21 toneladas.

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