O e-paper permite a transformação digital na logística através da optimização do processo na montagem, eliminando a impressão e manuseamento de listas de material nos ‘supermercados’ de abastecimento às linhas, de acordo com a Volkswagen Autoeuropa.

Anteriormente, todas as listas eram impressas em papel e manuseadas por operadores, o que originava um grande consumo de papel e uma ocupação do tempo de trabalho com um processo sem valor acrescentado à construção dos veículos. As listas eram necessárias para o acompanhamento do material de produção à linha de montagem e assegurar a rastreabilidade e sequencialidade da entrega do material.

Agora, através do e-paper, as peças são recolhidas, sequenciadas e rastreadas correctamente com recurso a tablet PC’s e scanners sem fios de dedo, para assegurar que o material é posicionado na mesma sequência dos carros que chegam à linha de montagem.

Miguel Redmont, Coordenador de Planeamento Logístico da Volkswagen Autoeuropa, afirma que “em parceria com três fornecedores, a T-Systems, a Secure Retail e a Display Data, foi desenvolvida uma solução que permitisse transferir as imagens das listas num dispositivo digital simples, montado nas estruturas metálicas de abastecimento à linha de produção, baseado na tecnologia e-ink. Os dispositivos são actualizados com novas listas à medida das novas recolhas de material de produção e dispõem de baterias que permitem uso continuado 24/7 entre dois anos e meio a três anos”.

A ideia de utilizar a tecnologia e-ink foi inspirada nas etiquetas electrónicas que já é possível ver na área do retalho. Contudo, a sua utilização em ambiente industrial e nos processos logísticos trouxe alguns desafios, segundo Miguel Redmont, como a circulação dos e-papers em meios móveis com o material sequenciado entre o supermercado e a linha; a ressincronização dos e-papers junto das antenas de rádio frequência dos supermercados; a monitorização remota dos níveis de bateria e criação de alarmística para manutenção preventiva e de anomalias de actualização de dados nos e-papers, entre outros.

Ainda assim, existem alguns benefícios como a redução não só do consumo de papel, mas também do tempo despendido pelo operador.

Os bons resultados obtidos com a implementação deste processo levaram a equipa a identificar novas oportunidades de utilização desta tecnologia, “neste momento estamos já a proceder à identificação desses processos logísticos. Depois das estruturas metálicas, as racks, estamos a explorar a extensão da solução e-paper aos processos em que se recorrem a caixas para sequenciação; às listas de controlo de sequenciação e aos pontos de consumo de material nos supermercados”, conclui Miguel Redmont.

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