As paletes e outras embalagens de movimentação e transporte são tão comuns que já nem se dá por elas. Contudo, as cadeias de abastecimento e o comércio global sem elas funcionariam tão bem como um veículo sem pneus. É esse o negócio da Rotom Portugal, que assinala 12 anos de vida  e que apesar do COVID-19  espera não ficar longe do crescimento previsto: +25% do que em 2019. 

Protegem o produto, absorvem as tensões, suportam o peso, enfrentam os impactos do empilhador ou do porta-paletes… em suma, protegem as matérias-primas, os produtos ou as mercadorias que percorrem a supply chain. Sim, falamos de paletes, esse actor principal das cadeias de abastecimento, especialmente quando consideramos tudo o que se espera que façam ou alcancem. Miguel Correia está bem consciente da enorme influência de uma palete e das outras soluções para transporte de mercadorias no resultado de uma remessa ou no bom desempenho de uma operação. É managing partner da Rotom Portugal e esse é o seu core business, já lá vão 12 anos.

SCM – 12 anos! Que balanço faz da evolução deste mercado… pensando em aspectos como maturidade, profissionalização, concorrência?
Miguel Correia – O mercado dos equipamentos para logística e armazenamento evoluiu bastante nos últimos 12 anos e tenho muito orgulho em poder afirmar que a Rotom foi decisiva para esta mudança no panorama nacional. O grupo Rotom conta com mais de 35 anos de experiência no mercado europeu e nasceu no Benelux onde o know-how na logística e supply chain era já muito avançado, quando os desafiei a investir em Portugal. Investimos muito na formação das pessoas, temos recursos humanos especializados em engenharia e desenvolvimento de novos produtos, especialistas em operações, no marketing e E-commerce e ICT. Investimos ainda em maquinaria robotizada. Continuamos a investir forte no E-commerce com a nossa loja online, que também está com um forte crescimento desde o Covid-19. E, finalmente, continuamos a ser os únicos em Portugal detentores da licença EPAL (PT300-RE) para Europalete madeira usada, somos auditados pela Bureau Veritas garantindo a qualidade máxima nestes activos, que nos permite uma distinção face a toda a concorrência.

O investimento realizado nas novas instalações na Nazaré foi um passo importante para chegarem até aqui e para o plano estratégico de crescimento e consolidação da Rotom Portugal, não foi? Já se consegue fazer um balanço? Que melhorias e/ou ganhos operacionais alcançaram com o mesmo?

Sem dúvida que as novas instalações em Valado dos Frades foram um marco importante. O grupo ao investir em Portugal também depositou confiança neste projecto e na equipa. A nova base foi desenhada de raíz para a nossa actividade, contamos com um total de 18.000m2 e ainda temos um lote disponível a pensar na expansão e investimentos futuros. O balanço é bastante positivo, a equipa tem as melhores condições e temos melhorado as operações. O espaço é muito amplo, a rotação dos produtos aumentou consideravelmente, e consequentemente melhorou a qualidade do serviço prestado ao cliente final.

Foi um enorme desafio mas que nos permite obter um controlo total da actividade, particularmente com muita eficiência em projectos das operações

A par da capacidade de resposta em termos de infra-estruturas físicas, o auxílio dado pela tecnologia é hoje fundamental em termos de informação e visibilidade das operações. Que benefícios alcançaram com a adopção na mesma altura de um novo ERP, não só internamente como também ao nível da capacidade de resposta ao mercado e às necessidades dos clientes?

A par do espaço físico e do investimento nas pessoas, nós investimos num novo ERP, trabalhamos com o Microsoft Dynamics AX, com parametrizações feitas à medida para a nossa actividade e temos os stocks ao dia. Há ainda poucas empresas em Portugal a trabalhar com este ERP, uma delas segundo fui informado é a gigante Farfetch, portanto foi um enorme desafio mas que nos permite obter um controlo total da actividade, particularmente com muita eficiência em projectos das operações, e naturalmente o grupo usa este ERP nos 10 países onde estamos presentes na Europa.

Como estão a sentir na vossa actividade este período de pandemia, não tanto ao nível da higiene, saúde e segurança – que entretanto também acautelaram devidamente – mas no que diz respeito à procura dos vossos produtos e serviços? Imagino que numa fase inicial tenha acontecido quase uma paragem em alguns sectores, por oposição a outros que aceleraram, como os produtos alimentares, o sector farmacêutico, os 3PL… Neste momento, como sentem o pulsar do mercado?

No segundo trimestre de 2020 sentimos uma quebra em alguns sectores, sendo o automóvel o mais afectado, mas por outro lado dispararam os sectores alimentar, 3PL, E-commerce, farma, DIY. E tivemos um incremento nos alugueres, tanto em Portugal como em toda a Europa. Em Julho já regressámos aos valores do primeiro trimestre, que tinha sido muito positivo. Vamos ver como correm os próximos meses. Felizmente nunca interrompemos a actividade tanto no Valado como na Maia, e temos zero casos COVID-19 até à data. Atendendo ao panorama nacional, não nos podemos queixar e continuamos a ambicionar o crescimento projectado para 2020 de +25% face a 2019.

Cada vez mais propomos serviços que sejam sustentáveis, na óptica da reutilização, sustentabilidade e respeito pela economia circular

Pensando no amplo conjunto de produtos e serviços que disponibilizam ao mercado, consegue fazer-nos uma caracterização do que tem sido nos últimos anos a evolução da procura, quer num aspecto, quer no outro?

Efectivamente uma das nossas vantagens é a vasta panóplia de produtos. Costumo dizer à equipa de vendas que dificilmente saímos de uma empresa sem vender um produto, nem que seja um porta-paletes. Mas, por outro lado, obriga-nos a uma especialização em todos os grupos de produtos. Esse conhecimento é essencial para se conseguirem ganhar mais vendas e serviços. Em Portugal, no que toca a paletes de madeira já somos líderes de mercado, também temos uma quota interessante no mercado de paletes e caixas em plástico. Nos últimos anos estamos a aumentar as vendas e alugueres nos produtos metálicos, rol-containers, racks para armazenamento temporário, dollies, gitterboxes… contamos com o know-how do grupo que é proprietário da HOZA, um enorme fabricante na Holanda, e recentemente adquirimos a Cargopak, no Reino Unido. Também com a empresa do grupo 2Return estamos a oferecer serviços de pooling, recuperação de embalagens, RTI, em toda a Europa. Cada vez mais propomos serviços que sejam sustentáveis, na óptica da reutilização, sustentabilidade e respeito pela economia circular. Fazemos consultadoria nas empresas, proporcionamos um estudo dos aforros que podem obter no circuito das embalagens, que é gratuito, e o cliente já nos considera um parceiro de confiança. O que está bem é para manter, caso existam pontos a melhorar o cliente decidirá se os implementará ou não.


A procura de uma base na região da grande Lisboa, que servisse os clientes da região Sul, estava nos vossos planos. Como está esse projecto e, além desse, que outros investimentos são previsíveis?

É verdade, a base da grande Lisboa já era para estar activa há um ano e meio. Estivemos em negociações para aquisição de uma empresa concorrente, processo que à ultima da hora não se concretizou. Mas estamos decididos a avançar directamente até final do ano, porque temos pedidos de clientes de relevo na região Sul, cujas operações requerem uma base próxima para dar apoio, nomeadamente nos serviços de aluguer, manutenção, lavagens certificadas e recuperações de embalagens. Teremos naturalmente de investir em maquinaria e robots, investimentos que aliás também estão previstos para o início de 2021 no Valado e na Maia.

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