Na Simio Student Case Competition, um desafio global proposto pela Simio aos estudantes de todo o mundo, a equipa PaulSquad, composta apenas por Paulo Nascimento, estudante finalista do mestrado em Engenharia e Gestão Industrial da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), alcançou a quarta posição a nível internacional na área de simulação de sistemas logísticos através de um sistema inovador de Wave Picking.

A competição da Simio consiste na exposição de um problema complexo e em contexto real a escolas de todo o mundo e dirigida exclusivamente a estudantes, que podem participar em grupos de até quatro elementos, no caso de licenciatura, ou de até dois elementos, no caso de mestrado. Nesta edição estiveram envolvidos 17 países e 1.446 estudantes, provenientes de 49 escolas, sendo a Universidade de Coimbra a única representante nacional.

A participação do estudante teve a supervisão do professor Samuel Moniz, responsável pela unidade curricular de simulação de operações, que pretende formar os alunos a adquirir competências avançadas em simulação de sistemas, com um foco importante no desenvolvimento de modelos de simulação de eventos discretos.

O desafio consistia no desenvolvimento de uma solução que permitisse a um centro de distribuição de calçado e produtos de vestuário, que se encontra a receber um maior número de referências, optimizar a sua logística interna e lidar eficientemente com a procura variável, tendo em conta que este funciona com três tipos diferentes de pedidos:
1 – Singulares – encomendas que requerem apenas uma unidade do produto;
2 – Multi-produto – encomendas que requerem mais de uma unidade;
3 – Case Picks – encomendas maiores de calçado, em caixas com quantidades múltiplas de 12.

Ao mesmo tempo, era ainda necessário respeitar algumas restrições logísticas, como janelas de entrega, localização de artigos, de movimentação no centro logístico, entre outras.

A resposta encontrada foi uma metodologia de gestão de picking por onda (wave picking), no sentido de equilibrar a carga de trabalho dos pickers na presença de elevada variedade e a variabilidade da procura, ou seja, tanto com o número de referências (em dezenas de milhares) como com o tamanho desses lotes. Através do desenvolvimento de um modelo de optimização-simulação, demonstrou-se como projectar um sistema de gestão de onda e também como organizar o armazém.

“A nossa estratégia de resolução passou por um modelo de optimização que equilibra toda a procura do horizonte temporal, respeitando as restrições impostas pelo cliente e pela sua capacidade interna logística”, explica o professor, conseguindo assim identificar o tamanho optimizado das waves, ou lotes, lançados no sistema através do modelo de simulação. Através desta solução, conseguiram garantir níveis de serviço de 99%, “passamos de uma situação em que este armazém trabalhava com níveis de serviço de 80 a 90%, para uma situação praticamente imaculada em termos de entregas”, acrescenta ainda.

Paulo Nascimento conta que o que o levou a participar no concurso foi o facto de trabalharem problemas reais e não de contexto académico, o que considera ser uma vantagem para quem se encontra a aprender: “estas iniciativas permitem aos estudantes enfrentar desde muito cedo problemas desafiantes de ambiente real que, de outra forma, em contexto académico, seriam muito difíceis de obter”.

A sua participação individual deveu-se, em parte, a que segundo o regulamento só poderia estabelecer uma equipa de dois elementos, e com a situação da pandemia a instalar-se tornava-se mais difícil participar em pares. “Achava que conseguia participar sozinho e realizar um bom trabalho. Desafiei-me a mim próprio para tentar obter um bom resultado”, comenta.

O estudante de mestrado explica que este projecto foi realizado em paralelo com a sua tese “e ter conseguido gerir as coisas também me ajudou a crescer e a enfrentar novos desafios”.

Esta é a segunda vez que a Universidade de Coimbra participa neste desafio, tendo na anterior alcançado a terceira classificação, e agora a quarta, um resultado “que me parece muito interessante, dada a escala e a abrangência que este concurso tem a nível mundial”, comenta ainda Samuel Moniz, acrescentando que esta classificação “mostra, de certa forma, que os alunos em Engenharia e Gestão Industrial da Universidade de Coimbra têm uma preparação sólida para a resolução de problemas complexos na área da logística, cadeias de abastecimento e gestão industrial”.

“É sempre muito bom sermos reconhecidos pelo trabalho que realizamos”, conta Paulo Nascimento, “acho que nós viemos de um país em que desde novos somos ensinados a pensar pequeno, parece que não temos grande relevância no mundo em geral, e ficar nesta classificação num concurso internacional só demonstra que, tal como os meus colegas já fizeram no ano passado, é possível”.

“É com muita satisfação que participamos nesta competição, porque cria uma dinâmica muito positiva nos alunos”, conclui o professor Samuel Moniz.

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