Recurso ao lay-off simplificado por parte de 63% das empresas foi fundamental para a manutenção do emprego, sendo que 60% ambiciona retomar níveis pré-pandemia no decorrer do ano de 2021 são alguns dos resultados de um inquérito conduzido pela Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins  (APIMA), junto das empresas do cluster, que inclui, para além do mobiliário, sectores como a colchoaria, a decoração, a tapeçaria e a iluminação.

Estes dados foram transmitidos, ontem, segunda-feira, por Joaquim Carneiro, presidente da APIMA, ao Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Correia Neves, e ao Presidente do IAPMEI, Nuno Mangas, no âmbito de um conjunto de visitas e de reuniões estratégicas realizadas por estas entidades com diversas empresas dos sectores de actividade representados pela APIMA.

43% das empresas inquiridas revelam quedas de facturação entre os 25% e os 50%, nos primeiros cinco meses do ano, face ao período homólogo do ano anterior. Nota, ainda, para o facto de 10% das empresas afirmarem ter registado uma evolução positiva do volume de negócios, com 27% a assumirem quedas entre os 10% e os 25%.

Uma quebra nas encomendas, que forçou 63% das empresas do cluster a recorrer ao regime de lay-off simplificado, permitindo a conservação dos postos de trabalho. 87% das empresas assume ter a totalidade dos colaboradores que mantinha antes da pandemia.

A queda nas receitas levou a um reajustamento e revisão dos planos de crescimento e de modernização, com 63% dos inquiridos a afirmar ter adiado ou cancelado os investimentos previstos, devido à COVID-19.

Entre as principais preocupações das empresas destes sectores estão o encerramento ou dificuldades financeiras dos clientes (70%), a procura de novas formas de promoção internacional em alternativa às feiras (70%), a protecção e a segurança dos colaboradores (56%), as dificuldades na cadeia logística internacional (37%) e o encerramento ou dificuldades financeiras dos fornecedores (18%).

“As empresas deste cluster demonstraram a resiliência que as caracteriza e foram céleres a adaptar-se e a responder aos novos desafios, o que tem permitido amortecer, pelo menos, o impacto da crise. Contudo, sentimos no seio das empresas uma grande incerteza em relação ao último quadrimestre do ano, à evolução do consumo neste período, à resposta dos principais mercados e à possibilidade de surgimento de uma segunda vaga… São demasiadas variáveis que influenciam o poder de compra e a confiança dos mercados», explica Joaquim Carneiro, presidente da APIMA.

As interrogações relativamente à forma como o mercado se comportará no mês de Setembro são confirmadas pelo planeamento produtivo actual das empresas. 44% afirma ter encomendas para um mês ou menos, com 27% das organizações a registar planeamento para dois meses e 29% para mais de dois meses.

Apesar do cenário de incógnita que o cluster enfrenta, as empresas inquiridas pela APIMA demonstram esperança e confiança numa recuperação económica já no ano de 2021. Embora apenas 13% ambicione igualar a facturação pré-pandemia já no segundo semestre de 2020, 30% acredita que conseguirá igualar este número no primeiro semestre de 2021, com outros 30% a objectivar a recuperação para o segundo semestre. 17% acredita que a retoma destes resultados apenas acontecerá em 2022, com 10% a traçar um cenário mais negativo e a projectar para lá deste ano a recuperação do volume de negócios anterior à pandemia da COVID-19.

Foi precisamente na resiliência, na adaptação e na ambição de construir uma recuperação célere e sustentada que as três empresas visitadas ontem pela referida comitiva focaram o seu discurso.

O roteiro iniciou-se na Pelcorte, referência nacional e internacional na área dos estofos, com 45 anos de experiência no mercado, e que conta com 60 colaboradores. Habituada a transformar os desafios em oportunidades, a Pelcorte mantém os planos de investimento para este ano, nomeadamente com a construção de uma nova unidade, que permitirá aumentar a produção da empresa.

Na JMS, que se dedica ao design, desenvolvimento, fabricação e comercialização de cadeiras e de mesas, a mensagem foi de perseverança. A empresa, que conta com 150 colaboradores e que facturou, em 2019, 12 milhões de euros, 95% dos quais oriundos de exportações, manteve sempre a laboração, ao longo da pandemia, não tendo colocado qualquer colaborador em lay-off.

A última das empresas visitadas foi a FRATO, empresa especializada na decoração de interiores e mobiliário de luxo, que conta com pontos de venda em alguns dos mais restritos e exclusivos centros mundiais, como o Dubai Mall, nos Emirados Árabes Unidos, o Design Centre, Chelsea Harbour e o Harrods, ambos na capital inglesa. Com um volume de negócios que atingiu, em 2019, 20 milhões de euros, e 150 colaboradores distribuídos por três unidades produtivas, a FRATO ambiciona manter a dinâmica de crescimento contínuo que marcou a primeira década de actividade da empresa.

O inquérito foi promovido pela APIMA junto do universo de Associados, composto por cerca de 200 empresas, entre os dias 3 e 16 de Julho de 2020.

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