Indústria, construção ou transportes, são alguns dos sectores de actividade que nunca poderiam existir sem a presença da logística. Tantos sectores diferentes, mas que geram oportunidades de emprego que necessitam de recursos humanos qualificados. Director de Operações, Supervisor de Logística e Responsável de Compras são alguns dos cargos que podem ser ocupados por quem se especializa nesta área, que está em constante expansão.

Em Portugal, só recentemente é que a logística passou a ser encarada como um dos pilares das empresas, que começaram a dinamizar o mercado do recrutamento.

Filipe Forte, Associate Manager da Michael Page, revela ao Jornal Económico (JE) que “a logística faz parte do core business da organização, por isso os seus profissionais devem ter uma visão mais financeira, mais estratégica, analítica e global, para além da visão operacional, para que sejam bem-sucedidos neste sector”, e acrescenta que não existe um perfil específico para quem pretenda vingar nesta área porque “o que hoje pode ser uma característica importante, amanhã poderá ser secundário”.

Nos últimos anos registou-se uma grande procura por parte das empresas, chegando até a superar a oferta. Ao que tudo indica, uma vez ultrapassada a pandemia Covid-19, a tendência irá manter-se e até agravar-se, visto que os profissionais existentes ou os recém-licenciados não deverão chegar para a procura. Filipe Forte afirma que as oportunidades cobrem todo o espectro, desde “juniores cheios de potencial”, como “seniores com vasto conhecimento do mercado”.

Em Portugal, as empresas e organizações, de forma a fortalecer os departamentos de logística e transportes, apostam em profissionais com fortes competências técnicas, analíticas e operacionais. Por sua vez, formações como Engenharia e Gestão Industrial, Logística, Transportes, Engenharias ou Gestão, são valorizadas para funções de ‘middle’ e ‘top management’, segundo o responsável. Também para cargos de supervisão ou de segunda linha, verificar-se alguma procura por formações avançadas, mas, para já, não são um factor fulcral na tomada de decisão.

Filipe Forte destaca que “a logística e os transportes estão a seguir a tendência de outros departamentos, visto serem áreas cada vez mais importantes dentro de uma estrutura, pelo que, a formação será cada vez mais importante no percurso profissional de um colaborador”.

Luís Picado Santos, Professor Catedrático de Transportes e Vias de Comunicação do Instituto Superior Técnico e Presidente do CERIS (Civil Engineering Research and Innovation for Sustainability), afirma ao JE que não tem dúvidas de que o sistema de ensino está a conseguir dar resposta às necessidades das empresas.

A nível da formação, o Instituto Superior Técnico, escola que tem uma grande oferta para todos os públicos-alvo, irá oferecer em 2021-2022, o Mestrado em Sistemas de Transportes (2.º ciclo). Luís Picado Santos, salienta ainda o Programa Internacional de Doutoramento em Sistemas de Transportes (3.º ciclo) e, do ponto de vista da formação mais direccionada em cursos de curta duração, a oferta em transportes e logística da instituição é diversificada e pode ser avaliada em iniciativas da FUNDEC.

A formação em Logística também se pode obter em escolas de administração, como é o caso do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL), que tem uma licenciatura em Comércio e Negócios Internacionais, em que o objectivo é “capacitar os alunos para intervenções complexas em âmbito da logística internacional”, refere Luís Picado Santos.

O Director do curso, Fernando Miguel Seabra, explica que a necessidade de aproximar os alunos da realidade das operações, levou a instituição a assinar “diversos protocolos de colaboração, quer com empresas com grande destaque no panorama empresarial, quer com associações”. Entre elas estão a Associação Portuguesa de Operadores Logísticos (APOL), a Associação dos Transitários de Portugal (APAT) e a Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (AGEPOR).

Por sua vez, o Instituto Politécnico do Porto também está a apostar na área da logística, uma vez que a Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) lançou em 2018/2019 a licenciatura em Gestão Industrial e Logística e, este ano, reforçou-se a aposta com o Curso Superior Técnico Profissional em Gestão Industrial 4.0.

Marisa Ferreira, Directora do Curso de Gestão Industrial e Logística revela ao JE que “é nossa convicção que os recém-diplomados nestas áreas são absorvidos pelo mercado de trabalho e que as necessidades das empresas não estão totalmente colmatadas com as actuais competências existentes no mercado”.

A logística poderá mesmo ser o futuro para alguns jovens portugueses aos quais Filipe Forte deixa uma mensagem “a logística vai continuar a crescer, pelo que caso goste, se dedique e esteja aberto a aprender, terá porventura um percurso profissional de sucedido nos próximos anos, pois este sector estará cada vez mais próximo dos poderes de decisão e será mais importante dentro da organização”.

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