O súbito aumento no número de pessoas infectadas pelo vírus Covid-19 detectado numa unidade de abate de aves na zona industrial da Azambuja, a Avipronto, poderá colocar em causa a logística de metade do país, por ser a zona que abastece Portugal desde Coimbra ao Algarve, avança uma reportagem do Dinheiro Vivo. Na passada quinta-feira os casos de Covid-19 aumentaram em mais de uma centena entre os trabalhadores daquela unidade, e cerca de meia centena revelaram-se inconclusivos.

No corredor de sete quilómetros, onde trabalham mais de oito mil pessoas que todos os dias vão para a região, grande parte vindo da zona da Grande Lisboa de comboio, encontram-se os centros de distribuição de empresas de diversas áreas da indústria, logística e retalho, como os grupos Sonae, Auchan, Jerónimo Martins, Staples, MT Portugal, Havi, Siva, GL, DHL, Sugal, Salvesen ou Torrestir, sendo que as autoridades de saúde pública não sabem qual a dimensão que este surto possa ter tido para a região.

Segundo a mesma fonte, as autoridades de saúde forçaram o encerramento daquela unidade industrial após um apelo directo por parte do município e da freguesia da Azambuja ao secretário de Estado Duarte Cordeiro, há duas semanas, mas já se prepara para reabrir com novas condições, assim que seja feita uma nova visita às instalações e seja aprovada a sua reabertura. Os autarcas estão preocupados com um eventual surto que possa surgir e comprometer toda a distribuição, com especial efeito nos abastecimentos às regiões Centro e Sul do país.

O município da Azambuja defende que por agora a ideia é reunir com as administrações das empresas para compreenderem quais as preocupações que possam ter, e debater a possibilidade de desfasamento dos turnos e a questão do transporte, pois na zona industrial da Azambuja todos entram em turnos semelhantes: entrada às 8 horas, saída pelas 16/17 horas, entrando os seguintes turnos de seguida, o que leva a uma sobrelotação dos transportes.

Os responsáveis locais defendem também que devem operar mais comboios e mais carruagens, mas o ministro das infra-estruturas Pedro Nuno Santos já explicou publicamente que não existem mais disponíveis. Outra ideia que também procuram colocar em prática é que as empresas alterem os seus horários para não sobrecarregar os existentes em determinados horários e que estas garantam mais transportes por autocarro para os trabalhadores.

Foto: Leonardo Negrão / Global Imagens

 

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