Atualmente o tema da Last Mile tem estado muito em voga, devido à crescente consciencialização do seu impacto em toda a Supply Chain, levando a que muitas organizações lhe despendam especial atenção e recursos, pois os desafios são de facto tremendos.

Apesar de o conceito em si não ser novo, existem hoje variáveis (algumas novas) que evoluíram para um estágio em que claramente fórmulas antigas, não garantem resultados futuros.

Diria que de entre os fatores mais críticos de afetação à Last Mile, o fator humano e geracional é claramente o mais central e impactante, nomeadamente através do seu contributo direto e exponencial para a proliferação do e-commerce, assim como para a consciencialização do tema da sustentabilidade. Assistimos diariamente a um crescimento das compras e transações on-line, as quais segundo o mindset e exigências atuais dos consumidores, devem ser satisfeitas à mesma velocidade com que fazem a encomenda online. Neste processo, por si só, existem vários desafios, por um lado a obrigatoriedade de desenvolver todo o processo logístico de uma forma rápida, segura, eficiente e sustentável, mas por outro lado sem custos acrescidos para o cliente, mesmo quando este – independentemente do motivo – pretende devolver ou trocar o artigo, não estando disposto “obviamente” a pagar mais pelo mesmo.

Numa outra perspetiva se tivermos em conta o crescimento das lojas de proximidade e de pequena dimensão, muitas delas concentradas nas grande metrópoles, onde o tráfego é intenso, os acessos limitados e regulamentados, onde inevitavelmente as entregas e recolhas são efetuadas em multipontos, nem sempre bem identificadas, torna-se evidente os desafios que esta “rede” coloca a toda a Supply Chain em geral e à logística inversa em particular.

Na filosofia tradicional de logística, assente no modelo linear de consumo, o desafio consistia em fazer chegar o produto ao cliente final (Last Mile), o que por si – ainda hoje – é um desafio, mas então e agora que esse momento apenas representa, em muitos casos, metade da jornada? É que para a logística inversa, é ai, no suposto cliente final, que tudo tem inicio, passante de uma forma quase caricata, a Last Mile a “First Mile”. E se todos os aspetos acima descritos terão impacto na logística inversa, existem mais alguns fatores a juntar à equação, nomeadamente as questões legislativas, que regulamentarão toda esta atividade, inclusivamente do ponto de vista dos transportes, acessos e sustentabilidade.

Neste panorama, a logística Inversa, verá forçosamente crescer a sua relevância e criticidade nas empresas. Não somente pela vertente ambiental, económica e de escassez de recursos, mas basicamente porque a forma atual de atuar não é eficiente e muito menos o será  no futuro, mantendo o atual status quo. Não existirá uma fórmula mágica ou única para a otimização da “First Mile” da Logística Inversa, mas seguramente fatores relacionados com o triângulo: tecnologia, sistemas de parceria/colaborativos e pessoas serão decisivos para o sucesso das organizações.

Ao nível da tecnologia, aspetos críticos como a automação, big data, block chain, business intelligence, automação, IoT… irão por um lado romper com os modelos tradicionais, como assegurar a necessária eficiência de toda a cadeia de abastecimento. Um exemplo claro são as ferramentas de traçabilidade e registo/informação real e on-time a todos os intervenientes da cadeia. A organização que conseguir adotar a tecnologia mais avançada e integrá-la de uma forma transversal internamente, com apport para os seus parceiros, assumirá seguramente uma posição de destaque e liderança.

Ao nível da atuação e mindset as organizações terão de caminhar para uma filosofia colaborativa e de parceria, partilhando informações, recursos e meios, onde sistemas como hubs ou plataformas serão ferramentas chave de otimização de processos e com impacto elevado do ponto de vista da sustentabilidade. A área dos transportes será uma das mais impactantes neste processo, pois partilhando informação, transportes e armazéns, o número de viagens em vazio, taxa de ocupação, custo Km, emissões CO2… serão forçosamente otimizados.

Flávio Guerreiro, Country Manager | LPR (Euro Pool System Group)

 

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