De acordo com um comunicado da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), e apesar da grande procura que se tem verificado por determinados bens essenciais por todo o país devido ao surto de Covid-19, no que toca aos super e hipermercados tem sido “sempre assegurada a reposição” dos produtos, e reforça que “isso está a ser feito dentro da normalidade”.

“Evidentemente que, com um maior afluxo repentino e aumento da procura em alguns produtos, a logística tem de se adaptar a estas alterações para que a reposição se faça rapidamente de modo a satisfazer as necessidades dos consumidores”, explica a associação, defendendo que se trata de uma situação normal, “semelhante ao registado em situações anteriores e compreensível pelas medidas assumidas para controlo da situação e que implicam a permanência dos consumidores nas suas casas”.

A associação assegurou que “caso se venha a justificar e tal como em outras ocasiões, os associados da APED estarão preparados para evitar perturbações no fornecimento de produtos e bens essenciais, nomeadamente por privilegiarem a produção nacional”, e que o sector “reconhece a sua ampla responsabilidade junto do consumidor”.

“As empresas têm implementados procedimentos e planos de contingência robustos e eficientes, tendo sido reforçadas as medidas de higienização e a formação de equipas, para que a experiência em loja continue a decorrer em segurança e com normalidade”, defende ainda em comunicado.

A APED garante também que “continuará a acompanhar e a monitorizar a situação, em contacto directo com as entidades competentes, nomeadamente a Direcção Geral da Saúde” (DGS), e apelava à manutenção da “tranquilidade e responsabilidade demonstradas pela população até agora”.

Entretanto, as empresas tentam focar-se também no digital, que está a ter uma maior afluência devido ao surto. Grande parte das pessoas está neste momento de quarentena em casa e a tendência passa cada vez mais pela utilização deste serviço digital para fazerem as suas compras, de modo a evitarem sair à rua.

O Continente Online é um desses exemplos, e anunciou na semana passada algumas limitações temporárias ao serviço devido ao surto de Covid-19, que entraram em vigor no passado dia 12 de Março, estando disponíveis para consulta no seu website:

– “Não será efectuada a recolha de sacos de plástico no âmbito da nossa política de reciclagem. Creditaremos o valor em Cartão Continente, considerando que efectuou a devolução total dos sacos da encomenda anterior.”
– “As entregas ao domicílio passarão a ser efectuadas à porta do Cliente não havendo entrada dos nossos funcionários no local.”
– “Irá receber um SMS no dia anterior à data de entrega escolhida a relembrar o horário de entrega. Pode sempre consultar os detalhes da sua encomenda na opção “histórico” na sua conta.”

A empresa do grupo SONAE apela ainda à utilização de métodos de pagamento virtuais como forma de evitar o contágio:
– “Excluiremos as opções de pagamento no acto de entrega. Poderá efectuar o pagamento sua encomenda com Cartão de Crédito, MB Way ou PayPal. Relembramos que com a opção Cartão de Crédito, na colocação da encomenda será reservado o seu valor total, acrescido de 3%, para possíveis diferenças de valor motivadas pela variações de peso nos Frescos, ou substituição de produtos indisponíveis. O seu Cartão de Crédito só será debitado pelo valor exacto da factura após receber a sua encomenda.”

Também o Pingo Doce está a sentir um grande crescimento no Mercadão, encontrando-se um alerta no seu website a avisar que as entregas se encontram esgotadas nos próximos dias, devido ao aumento repentino e inesperado de pedidos.

O site também alerta para os seguintes impactos no serviço:

– “Capacidade cheia para vários dias de entrega em algumas zonas.”
– “Alguns atrasos pontuais.”
– “Mais rupturas.”

Como forma de responder a este pico de procura, o Mercadão também avança que se encontram a ajustar a oferta de janelas de entrega diárias e a reforçar a sua rede de personal shoppers, com maior foco nas metrópoles de Lisboa e do Porto.

Ao Jornal de Negócios, uma fonte do Intermarché também revelou que houve um aumento nas vendas online, que acompanhou também a ida física à loja.

“Nas compras online temos tido picos de procura e os clientes são avisados dos eventuais condicionalismos na entrega inerentes à situação actual”, explica a fonte.

Por parte do Governo, os Ministérios da Economia e da Agricultura criaram um grupo de trabalho para acompanhar e avaliar a evolução da cadeia de abastecimento nos sectores agro-alimentar e no retalho, de forma a antecipar “situações de perturbação no provimento regular ou comportamentos individuais desproporcionais” face às reais necessidades dos cidadãos.

A par das recomendações da APED, após a primeira reunião o secretário de Estado da Defesa do Consumidor, João Torres, declarou que o país não estava “em iminência de ruptura de stock, nomeadamente de géneros alimentícios mais essenciais”. Questionado sobre uma eventual limitação da quantidade de artigos por cliente, não considerou necessária essa medida, assegurando que existem condições para repor os produtos em prateleira e que, para já, a limitação não será a medida a tomar.

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