Uma equipa motivada produz mais e melhor. Sei que é uma afirmação óbvia, passível de gerar pouca controvérsia. E não pretendo também discorrer muito sobre complexas teorias de motivação e liderança. Proponho apenas, com base na minha experiência pessoal de muitos anos, deixar algumas guidelines simples sobre como uma equipa motivada conduz a operações normalizadas, mais eficientes e, assim, capazes de gerar ganhos económico concretos.

Como? Com passos simples, mas metódicos, que fazem toda a diferença. Tal como nos artigos anteriores, nos quais deixei sugestões que conduzem a ganhos concretos, tendo como base a eficiência, a gestão visual de armazém, o inventário ou a otimização de custos.

Mas, foquemo-nos no tema: a motivação da equipa logística. Basta uma pequena pesquisa para haver fontes credíveis que nos afiançam que a motivação leva a crescimentos de produtividade superiores a 50%. Ainda que a percentagem possa ser discutida, parece claro que uma equipa motivada é mais feliz e, logo, produz mais e assegura uma operação normalizada. Garantido.

A fórmula para lá chegar passa por aspetos simples do dia-a-dia da gestão da equipa logística. É fundamental haver uma rotina diária de armazém. Dispensar os primeiros quinze minutos (e só 15!) do dia para reunir a equipa: planear o dia, distribuir tarefas com objetivos claramente definidos, definir prioridades e antecipar dificuldades, e avaliar o dia anterior. Este deve ser um espaço diário que garanta comunicação e alinhamento, e também que promova no seio da equipa a preocupação pela melhoria contínua, pela avaliação e padronização de processos, e pela promoção da autonomia. Equipas envolvidas, com mais informação e conhecimento, são mais produtivas, mais proativas e mais felizes. É também fundamental haver procedimentos e informação de operação afixados e acessíveis a todos, para que se promova um espaço de trabalho em que está visível uma preocupação pelo conhecimento, e pelo cumprimento.

Mas não se fica por aqui. Para conseguir um operador de plataforma motivado e uma equipa de alta performance, é fundamental haver uma avaliação de desempenho da equipa, individual, simples, com regras claras e bem definidas. Que haja domínio das produtividades individuais e globais, e que essa informação seja partilhada com toda a equipa. Que se reconheçam e premeiem os mais produtivos, e que se apoie os menos produtivos caso queiram mesmo melhorar, ou em alternativa que sejam recolocados em funções mais adequadas ao seu perfil. As equipas têm que ser niveladas por cima, devem ser seguidos e promovidos como exemplo os melhores desempenhos. Se admitirmos desempenhos e expectativas medíocres, teremos apenas equipas medíocres.

E é também importante envolver as equipas em momentos especiais, e dar lugar à comemoração de dias e metas importantes para as pessoas e para a empresa.

Na verdade, como se vê, medidas simples, de bom senso e fáceis de implementar que criam equipas motivadas, de alto desempenho, capazes de ultrapassar qualquer desafio e geradoras de eficiências quantificáveis economicamente.

Contudo, até agora, foquei-me apenas na equipa operacional. Que é uma parte da equação. A outra parte é composta por uma liderança que se pretende seja capaz de motivar, inspirar e apoiar a sua equipa. É aqui que, muito provavelmente, o caro leitor entra.

O seu potencial de liderança está desenvolvido e focado no employer branding, aplicado à equipa de logística? Está orientado para elevados níveis de exigência mas também de satisfação da equipa que lidera? Este, será o primeiro passo, sem o qual não haverá equipas de alto desempenho. Orientar o seu foco para a equipa interna deve ser a prioridade dos líderes empenhados em conseguir resultados extraordinários dentro das organizações.

Ainda que seja um processo mais complexo, comece por oferecer à sua equipa um propósito bem claro, promova um bom relacionamento, valorize cada elemento, dê um feedback claro e frequente, retenha promova e premeie os melhores, faça crescer ou promova rotação dos desempenhos mais baixos, concretize a flexibilidade possível, defina e aponte metas claras e atingíveis mas ambiciosas, delegue, proponha desafios e, last but not least, defina um plano de carreira, cargos, salários e incentivos apetecíveis.

Assim, como referia no início deste artigo, conseguirá uma equipa motivada que conduz a operações normalizadas, eficientes e capazes de gerar ganhos financeiros quantificáveis.

Sara Monte e Freitas, Partner | Expense Reduction Analysts

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