Um dia, um cliente lançou-nos o desafio de encontrar uma solução alternativa para a resolução de um problema. Tratava-se de uma Empresa que operava no sector dos transportes e logística de mercadorias, que segundo o seu Director Geral, entendia que as vendas não estavam a ser atingidas numa determinada Região. Ao sermos confrontados com este desafio, procedemos ao levantamento da situação “As-Is” do Cliente, foram estudadas diferentes alternativas possíveis para a resolução do seu problema, e posteriormente foi encontrada a melhor solução do ponto de vista técnico-comercial.

A alternativa recomendada para a resolução do problema, passava pela incorporação de uma pessoa externa que desempenharia as funções de técnico comercial. No entanto, essa solução seria igualmente estudada do ponto de vista financeiro, tendo-se chegado à conclusão que a alternativa pela contratação de uma pessoa externa à empresa para a função de técnico comercial seria bastante negativa para a Empresa, já que a sua situação financeira não lhe permitia esse esforço.

Assim, após a análise do mesmo problema na perspectiva comercial e financeira, entendeu-se por bem avançar com o estudo da alternativa de recrutamento interno numa 3ª perspectiva, tendo-se para tal envolvido o Consultor especializado em Recursos Humanos, para identificar entre os diferentes candidatos oriundos da própria empresa, quem teria o perfil mais adequado para o desempenho dessas daquelas funções. Em suma, para a resolução deste desafio, houve a necessidade de envolver três Consultores Especialistas em áreas diferentes (Comercial, Financeiro e Recursos Humanos, respectivamente), tendo a melhor solução sido encontrada através da medição do impacto que cada alternativa teria nas diferentes funções da Empresa.

Assim funciona o corpo humano, ou seja, se um órgão não estiver a funcionar ao mesmo ritmo da restante organização, temos um sintoma de doença que deve ser combatido. Uma qualquer medida pode ser excelente do ponto de vista operacional, por exemplo, mas ser negativa do ponto de vista comercial, financeiro, ou outro qualquer. E vice versa. O foco deve ser sempre a avaliação dos resultados esperados para a Empresa de forma global, independentemente dos maiores ou menores “sacrifícios” adstritos a cada departamento. Tal como o corpo humano, já que quando o médico prescreve um medicamento para melhorar um determinado órgão, deve avaliar os impactos resultantes para os restantes órgãos, pois as desvantagens ou prejuízos podem ou não, ser superiores que os ganhos esperados. O tal medicamento só deve ser ministrado se aportar benefícios ao corpo humano no seu geral, mesmo que se possa sacrificar um pouco um determinado órgão.

Seguindo esta mesma analogia, digamos que a saúde está para o resultado da Empresa, como a aparência física está para o seu volume de negócios. O cérebro está para a Administração, tal como os restantes Órgãos estão para os restantes departamentos da Empresa. Tal como os órgãos do corpo humano têm a sua importância qualquer que seja a sua função, os diferentes departamentos da Empresa têm igualmente a sua importância para a prossecução dos objectivos estipulados.

Os diferentes sistemas do corpo humano, tal como os departamentos de uma empresa, tratam dos seus assuntos específicos, mas estão fortemente interligados e influenciam toda a organização. Se o sistema circulatório deixar de funcionar corretamente devido à formação de um coágulo, por exemplo, todo o organismo fica comprometido, o que pode implicar uma deslocação forçada e imediata a um hospital. Ora, o mesmo acontece quando uma falha tecnológica ou de comunicação num departamento compromete o trabalho de todos os outros envolvidos e são acionadas medidas para resolvê-la rapidamente.
Nas empresas, os principais sinais de alarme, de que algo não vai bem, são a descida dos resultados económico-financeiros, o abandono excessivo de clientes, o aumento acima do normal da conflitualidade interna, a repetição de erros e a perda de reputação junto do mercado em geral.

Com o corpo humano passa-se algo semelhante. Os sintomas são diferentes mas a lógica é parecida. Os sintomas mais correntes de que algo não vai bem com a saúde de uma pessoa, são o aparecimento
de dores localizadas ou o surgimento de um sentimento generalizado de mal estar. Se estas manifestações se agravarem com o tempo, então estaremos muito provavelmente na presença de um estado de doença.

E ao nível dos objetivos o que é que o corpo humano tem em comum com o funcionamento de uma empresa? Há quem diga que o objetivo das empresas é o lucro. Mas para que serve o lucro se não para dar continuidade ao projeto da empresa e aumentar a sua longevidade até ao máximo possível? Esse é também o objectivo do corpo humano: viver o máximo de tempo possível.

Diante do exposto, ponderamos qual é a importância que as ações ou decisões tomadas com foco exclusivo em uma operação ou departamento, podem influenciar nas demais áreas e, consequentemente, respingar nos negócios da organização.

Imagine que a empresa é o corpo humano. O cérebro determina quais serão os movimentos do corpo visando uma direção ou determinada finalidade, logo, podemos comparar este precioso órgão a alta administração, pois cabe a este seleto grupo definir quais serão as estratégias e as ações (comandos) a serem tomadas para a empresa atingir seus objetivos. Mas, sabemos que o cérebro, sozinho, não consegue atingir este feito pois depende de outros órgãos.

O cenário descrito acima é similar a situação ocorrida nas empresas. Uma vez definida as estratégias e os objetivos, é necessário que a alta administração em conjunto com os gestores departamentais realizem a monitorização periódica, do comportamento e sinergia entre as áreas e os processos, bem como, acompanhe as mudanças ocorridas e o funcionamento dos sistemas, as sobrecargas da infraestrutura física e lógica visando antecipar riscos que possam gerar conflitos, provocar a lentidão ou paralisação definitiva dos trabalhos expondo uma imagem negativa perante os stakeholders – são todas as partes interessadas na sobrevivência da companhia, ou seja, o estado, a sociedade, o consumidor, a concorrência, os accionistas, os colaboradores, os prestadores de serviços, etc…

As Empresas de Consultoria enquanto “médicos” das Empresas, deverão implementar a promoção de interações entre todos os departamentos de cada cliente “paciente”, sempre numa perspectiva integrada, através da análise dos processos existentes, dos recursos humanos, a infraestrutura técnica e comercial, bem como de todas as restantes áreas funcionais, por forma a fornecer diagnósticos e recomendações para tratamento dos riscos, visando o bem-estar e a prosperidade do seu Cliente como um todo. Esta integração entre as diferentes áreas, é primordial para discutir novas formas de actuação,rever estratégias e objetivos traçados de forma a que sejam compatíveis com a estrutura organizacional, o nível de serviço que a Empresa almeja prestar aos seus clientes, e claro, a sustentabilidade dos níveis de rentabilidade económica dos seus activos.

Pedro José Almeida | Sócio-gerente | SERVILOGIS® – Consultores

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