Os portugueses estão a aderir cada vez mais ao e-commerce e entregas ao domicílio, mesmo em áreas em que anteriormente não investiam tanto, como as compras do supermercado. Além das plataformas do Continente, da Auchan e do El Corte Inglés, que fazem entregas próprias, existe ainda o Mercadão, que faz compras no Pingo Doce e as entrega em casa dos clientes em duas horas. Estima-se que este sector tenha um impacto num valor aproximado de 144 milhões de euros em Portugal.

A Sonae MC diz que o e-commerce cresce a dois dígitos, e já investe nas vendas online há praticamente duas décadas. Segundo a empresa, o e-commerce alimentar “tem uma representatividade crescente no negócio e um potencial de crescimento muito significativo”. Pedro Santos, director de e-commerce, não revela dados sobre as vendas, mas ressalva que as categorias alimentares são as mais procuradas, e que o maior crescimento está nos frescos.

A modalidade preferida, revela a fonte, é a da entrega ao domicílio, mas também sentem um crescimento no serviço de levantamento no ponto de venda, “Click&Go”. O Continente também dispõe de entrega ao domicílio de compras efectuadas em loja, ou de parcerias com operadores de entrega domiciliária como a SendEat ou a Glovo.

| “Temos apostado muito na complementaridade entre o digital e o físico, o mais relevante é que a experiência de compra do consumidor seja a melhor possível.” – Pedro Santos

O El Corte Inglés também tem vindo a apostar em formas de complementar a sua oferta com o omnicanal. “Os consumidores online são muito focados no preço e no serviço, e têm um perfil bastante mais jovem. Os clientes omnicanal são muito mais fiéis e ponderam todas as variáveis associadas ao produto, designadamente o serviço e a garantia. Os hábitos de consumo destes clientes são bastante mais consideráveis, o que nos faz acreditar que a estratégia omnicanal é, sem dúvida, uma grande aposta”, conta António Tomé Ribeiro, Head of Ecommerce & Omnichannel El Corte Inglés Portugal.

Segundo explica, o e-commerce tem um peso muito variado nas vendas totais da cadeia, e que depende do produto em questão e diferentes categorias: “nalgumas pode chegar aos 15%, noutras é apenas residual porque o canal online serve, sobretudo, como suporte à tomada de decisão”.

Não tendo uma plataforma própria, o Pingo Doce está presente no Mercadão, uma plataforma de comércio electrónico com grande experiência no e-commerce que está operacional desde o ano passado. Hoje a plataforma já conta com 20 mil clientes e uma equipa composta por 100 personal shoppers, estafetas que se encarregam de fazer as compras pelos clientes e asseguram a ida à loja, escolha dos produtos e entrega ao domicílio, e que está a ter grande sucesso, especialmente nas metrópoles.

Ricardo Monteiro, um dos criadores do Mercadão, explica que uma das vantagens da plataforma é a rapidez na entrega, e que isso os diferencia do mercado: “fazemos entregas muito mais rápidas e muito mais on demand, dois horas após a recebermos a encomenda e num intervalo de tempo de 30 minutos, o que é uma grande vantagem face às slots de duas e meia a três da concorrência”, e explica que o serviço é grátis para compras acima dos 50 euros.

A migração para as plataformas online para as compras deste tipo de bens tem vindo a crescer, embora ainda não esteja muito integrado no quotidiano dos cidadãos como em outros países pelo mundo. Segundo um estudo da Kantar, estima-se que a nível mundial este segmento de mercado se encontre nos 5,1%, e em Portugal nos 1,6%.

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