Decorreu nos dias 16 e 17 de Outubro o 22º Congresso da APLOG, que trouxe vários profissionais da área da supply chain ao PT Meeting Center, em Lisboa, para ouvir falar sobre “As Novas Fronteiras da Logística”, num cenário “desafiador” para a APLOG, como foi caracterizado na sessão de abertura por Raul Magalhães, presidente da direcção da Associação Portuguesa de Logística.

Começando por dizer que “não há internacionalização sem boa logística”, Luís Castro Henriques, da AICEP Portugal, fez um enquadramento histórico sobre a evolução do comércio que passou por vários pontos do globo, desde o Irão e Islão, passando pelo Reino Unido e França, até à China. Abordou ainda o novo paradigma e os desafios de Portugal, a realidade que enfrenta, seguido da afirmação do e-commerce como uma das principais tendências da próxima década, e terminando com o plano estratégico da AICEP.

O primeiro painel do evento, moderado por Diogo Santos da Deloitte, contou com Pedro Lima da Luz Saúde, Ana Esteves da Salsa Jeans, Ana Rute Alves da SONAE MC, Joaquim Praxedes do Vale da Rosa e Dinora Guerreiro da Volkswagen Autoeuropa.

O debate iniciou-se com a realidade da cadeia de abastecimento do negócio de cada orador. De seguida, Ana Esteves, head of supply chain da Salsa Jeans, explicou o modelo de colaboração com os fornecedores que existe dentro da empresa, que passa pela transmissão do know-how, considerado muito importante.

Pedro Lima, CEO da Luz Saúde, falou sobre as principais inovações que estão a ocorrer na logística da cadeia da saúde e, de seguida, Joaquim Praxedes, gestor geral do Vale da Rosa, abordou as boas práticas do negócio e os desafios que a empresa tem vindo a enfrentar.

Por fim, Ana Rute Alves, responsável de marketing da SONAE MC explicou as vantagens que  tecnologias e digitalização têm vindo a trazer ao negócio, nomeadamente a digitalização da codificação, que tornou os processos mais eficientes e sustentáveis, e Dinora Guerreiro, supply chain e transports manager da Volkswagen Autoeuropa abordou a supply chain 4.0 da empresa, onde se apostou em melhorar o trabalho dos colaboradores de forma a acrescentar valor.

Após o primeiro coffee break, dedicou-se o resto do tempo à sustentabilidade e o seu impacto na logística. Filipa Mendes, general manager da CHEP Portugal, e Márcio Cruz, head of public affairs, communication e sustainability na Coca-Cola, apresentaram o projecto que desenvolveram em conjunto ‘Zero Waste World’, que consiste em tornar a cadeia de abastecimento mais sustentável. Esta é uma iniciativa em que duas empresas com a estratégia de sustentabilidade bem-definida, criam sinergias para atingir um objectivo comum. Através desta parceria, já removeram 8200 toneladas de CO2.

De seguida, João Meneses, secretary general da BCSD PT, sob o mesmo mote, apresentou diversos casos de sucesso em torno da sustentabilidade, como é o caso da uber green, uber freight ou Loop, mostrando que a sustentabilidade pode, definitivamente, representar uma oportunidade de negócio.

Após uma pausa para almoço, deu-se início às sessões paralelas. Numa, foi discutido o futuro do trabalho: as novas exigências dos gestores da logística, tendo incluído no painel, Pedro Ribeiro, director de recursos humanos da Super Bock Group, Sandrine Veríssimo, regional director da HAYS, João Carlos Costa da ATEC e Tiago Pinho, docente do Instituto Politécnico de Setúbal.

“Pode haver novos processos, novos equipamentos, mas todas as organizações são feitas de pessoas”, foi assim que Virgílio Vaz, moderador, deu início à sessão. Pedro Ribeiro apresentou várias competências para os gestores de logística do futuro que não devem ser descuradas, entre elas: um conhecimento profundo da indústria, a aquisição gradual de uma mentalidade de data analytics, adaptabilidade e capacidade de antecipar problemas. Apesar de estas serem competências que devem ser tidas em conta, o director de recursos humanos referiu que a tecnologia pode interferir com as profissões de hoje em dia, pelo que, há algumas que podem mudar no que diz respeito às funções a desempenhar.

Sandrine Veríssimo apresentou o mesmo cenário: surgirão novas funções enquanto que outras tenderão a ser suprimidas, como é o caso da gestão de armazéns. Este é um sector que está em constante mudança e adaptação e apresenta uma grande dificuldade em recrutar perfis altamente qualificados.

Por sua vez, João Carlos Costa, referiu que no futuro, o que fará a diferença serão as competências sociais e comportamentais, como o rigor e ética, a criatividade, a flexibilidade entre outras. O segredo está na atitude.

Tiago Pinho referiu que o que as empresas procuram no futuro gestor logístico é o espírito e análise crítica, a capacidade autónoma de investigação e multidisciplinariedade.

Na segunda sessão paralela, com um painel composto por Max Vallvé do Alpega Group, Luís Graça da SAS, e Alfredo Noya da TI Contract, foi abordada a importância da recolha e tratamento dos dados existentes, deixando à tecnologia o cargo de criar soluções adaptadas às necessidades dos clientes através dos seus sistemas e programas. Destacou-se ainda a relevância da fidelidade e partilha de dados, bem como a autonomia na gestão e acompanhamento dos programas implementados de forma a não criar uma dependência desnecessária à tecnologia.

De seguida, Alexa Rios, regional product expert na Maersk, apresentou o projecto TradeLens, uma plataforma suportada pela blockchain e, posteriormente, foram apresentados dos nomeados para o Prémio de Excelência Logística PEL 2019, neste caso os CTT, Rangel, SONAE e Luís Simões.

Foi ainda apresentado o Impacto do IOT/5G na Logística, um estudo realizado pela NOS em pareceria com a Supply Chain Magazine, onde foram revelados os resultados.

Às 20h00 deu-se o jantar da Noite da Logística, onde se revelou os CTT como os vencedores do PEL 2019, dando por encerrado o primeiro dia do 22º Congresso da APLOG.

A marcar a manhã do segundo dia do evento ficaram as sessões paralelas. A primeira, denominada ‘Estruturas Portuárias – Reforço do Perímetro’, com um painel constituído por Isabel Moura Ramos, executive board member do Porto de Aveiro e da Figueira da Foz, José Luís Cacho, presidente na administração dos Portos de Sines e do Algarve, Ana Garcia Fernandez do Grupo ETE, Pedro Pérez Torres, general manager do Perez Torres Group, e Diogo Vaz Marecos, board member da Yilport.

Nesta sessão referiu-se que 80% do transporte mundial de comércio é realizado via marítima e, como tal, mostra-se fundamental para o sector. A nível dos portos, o de Aveiro foi o que mais cresceu, tornando-se uma referência para o sector portuário, enquanto que o de Sines é o mais desenvolvido. No entanto, levantou-se a questão das “dependências” alfandegárias que deviam ter outra dimensão, bem como capacidade de resposta. Foi ainda referida a importância de criar zonas francas portuárias de forma a facilitar e motivar a dinâmica dos portos.

Do outro lado do PT Meeting Center, à mesma hora, decorria a sessão sobre os desafios da qualidade na logística alimentar.

João Almeida, do Grupo FRIP, abriu o tema através de um enquadramento sobre o negócio do grupo, tendo passado de seguida, para os principais desafios logísticos que enfrentam. Entre eles as infraestruturas insuficientes para suportar o volume de actividade, a dificuldade em recrutar mão-de-obra qualificada na área, os custos do transporte rodoviário, entre outros.

Após esta intervenção seguiu-se a de Carlos Mendonça director-geral da HAVI que fez um enquadramento sobre a empresa, tendo também passado um vídeo a ilustrá-lo.

A terminar a sessão paralela, Luís Cruz, director de operações da SONAE MC, apresentou alguns dos projectos que têm vindo a lançar, como é o caso da escola de logística. De seguida, após o enquadramento da empresa, referiu os desafios que a SONAE enfrenta na área da qualidade, o tema principal. Apontou o acompanhamento constante junto dos fornecedores por parte da equipa da qualidade, o envolvimento dos técnicos nas grandes campanhas e a verificação de mais produtos em menos tempo sem degradas a qualidade e não impactar com processos logísticos, como alguns deles.

‘A Colaboração na Cadeia de Abastecimento’ foi o tema que se seguiu e que contou, em primeiro lugar, com Nuno Bastos, director de logística do Grupo Os Mosqueteiros, e Luís Freitas, business consultant da Zetes, que apresentaram o projecto que criaram em conjunto, sob o mote ‘visibilidade – o pilar da colaboração Intermarché / Zetes’.

O projecto de colaboração consiste num sistema que integra informação em tempo real disponível a todos os elos da cadeia de valor, de forma a evitar rupturas. Assim, reduz-se o risco e o custo e melhora-se a performance. Tem como principais objectivos aumentar a qualidade do serviço, ter uma maior produtividade pela prevenção do erro, e transparência na relação entre o intermarché e os seus fornecedores.

Após estas intervenções seguiu-se a sessão conduzida por Rui Simões, administrador innovance na Luís Simões, e Jordi Aycart, head of supply chain na Nestlé Espanha, com o tema ‘ganhar através da colaboração’.

O centro logístico da Luís Simões localizado em Guadalajara, composto por três naves de 31.158 metros quadrados, 29.083 metros quadrados e 28.650 metros quadrados, e futuramente automatizado, foi concebido com o objectivo de simplificar a rede actual, assegurar a sua flexibilidade/escalabilidade de forma a aumentar o nível de satisfação dos clientes. A Nestlé é um dos clientes que se irá mudar para este novo centro. Esta solução foi desenhada consoante os princípios da sustentabilidade, centrada no consumidor e que fosse multi-cliente.

Ricardo Monteiro, group director da fjord, apresentou algumas das tendências que já estão a marcar o presente. De sete, escolheu falar sobre três. A primeira, denominada ‘silence is gold’, remete para as consequências da utilização em excesso da tecnologia; a segunda ‘the last straw?’ aborda as consequências que advêm das alterações climáticas e o que algumas empresas já têm vindo a fazer para mudar a sua abordagem em consonância com a  sustentabilidade ambiental; e, por último, a tendência da ‘synthetic realities’ que remete para o poder da inteligência artificial, bem como dos seus perigos. No final apresentou sugestões para agarrar estas tendências enquanto oportunidades, e não as encarar como problemas.

A última sessão, ‘O painel dos presidentes /CEO’s – Casos de Sucesso’, contou com Nuno Luz, managing director da FNAC, Luís Vicente Dias, CEO na Maxmat, Carlos Vasconcelos, board member da MSC, e António Filipe, chief operating officer da Symington Family Estates. Neste debate foram abordados temas como os desafios e riscos na cadeia de abastecimento de cada um dos negócios, bem como a contrafacção, a autenticidade e o comércio online.

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