Olaf Holzgrefe, responsável da área de International Business & Affairs na Associação Federal Alemã de Compradores (BME), referiu em entrevista ao Dinheiro Vivo que há anos que observa a evolução portuguesa, e elogiou o trabalho e o profissionalismo atingidos após a crise.

Segundo o responsável, “a economia alemã está a abrandar, mas vem de dez anos de criação de valor”, e mesmo com o retrocesso da produção industrial, Olaf mantém-se confiante e Portugal não deve temer pelo pior. A acrescer a isso, encontra-se o aumento dos custos associados à importação de produtos chineses, que tem vindo a aumentar, e com eles, também a procura por produtos europeus.

“O mais importante é que as empresas portuguesas definam em primeiríssimo lugar qual o melhor produto que podem fornecer às suas congéneres alemãs”, explica, acrescentando que de seguida o rumo a tomar é o da decisão do preço a praticar e da capacidade para assegurar um fornecimento sem contratempos. Só aí, com esses parâmetros definidos, deverão entrar em contacto com os compradores alemães.

Recomenda que a empresa tenha uma boa presença na internet, pois após qualquer primeiro contacto, o cliente irá procurar questões adicionais sobre o fornecedor na web, e no caso de essa presença não existir – ou de existir pouca informação disponível – o comprador poderá ter uma ideia negativa do fornecedor.

“O mais relevante será o recurso às redes já existentes; as Câmaras de Comércio alemãs no estrangeiro que são importantes pontos de contacto, já que existe uma ligação estreita entre estas e a BME”, e explica que já trabalha há vários anos com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, conseguindo assim reunir a experiência em ambos os países.

“Há anos que observamos a situação em Portugal e verificamos que o país fez os trabalhos de casa.” – Olaf Holzgrefe

Olaf considera que as empresas portuguesas têm acompanhado a evolução do mercado internacional e modernizaram-se. Antes, Portugal não era muito visto pelos seus fornecedores, e hoje já são reconhecidos como parceiros de confiança. “A qualidade dos produtores portugueses ganhou maior destaque nos mercados de exportação, nos quais a Alemanha está incluída”, explica.

Custos, tempo e qualidade
Não basta ter um bom produto, é necessário que a sua qualidade esteja aliada aos seus custos e cumprir os prazos de entrega.

“O selo de qualidade made in Germany continua a ter um valor muito elevado e quem quer fornecer empresas alemãs tem de cumprir exigências altas”, e perceber como comunicam, explica Olaf.

O responsável alemão explica que as PME alemãs, principal pilar da economia, procuram frequentemente colaborações com fornecedores baseadas na confiança, e que caso estes cumpram este requisito, podem ser estabelecidos negócios bastante duradouros e de sucesso.

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