O grupo suíço VF Corporation, detentor de algumas das mais conhecidas marcas de malas, roupas, calçado e acessórios do mundo, como Timberland, The North Face, Kipling, JanSport, Eagle Creek, Vans, EastPak, entre outras, anunciou que não irá comprar mais couro proveniente do Brasil.

Em comunicado, o grupo informou que “a VF desenvolve e implementa políticas para alinhar decisões de negócios com o propósito de “fortalecer mudanças de estilo de vida sustentável para a melhoria das pessoas e do planeta… Desde 2017, aprimorámos o nosso abastecimento global de couro através de estudos para garantir que os fornecedores estejam de acordo com nossos requisitos. Como resultado desse estudo detalhado, não conseguimos assegurar satisfatoriamente que os nossos volumes mínimos de couro comprados a produtores brasileiros sigam esse compromisso. Sendo assim, o VF Corporation e as suas marcas decidiram não comprar mais couro do Brasil até que haja segurança que a matéria-prima usada nos nossos produtos não contribua para o dano ambiental no país”.

Recentemente, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), associação que representa as empresas produtoras de couro brasileiro no país e no exterior, enviou uma carta ao Ministério do Meio Ambiente alertando sobre a preocupação dos importadores com a garantia da proveniência da matéria-prima brasileira, depois da repercussão mundial com os incêndios e o aumento do desmatamento na Floresta Amazónica.

O presidente do CICB, José Fernando Bello, confirmou o “recebimento de solicitações por parte de importadores mundiais de couro acerca do produto brasileiro, em função de notícias relacionando queimadas na região amazónica ao agronegócio do país”. Mas segundo o mesmo responsável não houve suspensão de pedidos: “fornecimento e exportações continuam normais. Os curtumes brasileiros têm total segurança sobre a origem de sua matéria-prima, manejo e processos”.

Apesar de o grupo suíço importar um volume pequeno de couro do Brasil, como afirma, a medida pode influenciar outros importadores a seguir o mesmo caminho; isto quando as exportações de couro e pele brasileiros apresentam índices negativos, com excepção de Maio, em que se registou um leve crescimento de 5,6% e em Julho último com 8,4%, totalizando 84,2 milhões de dólares.

Contudo, apesar do boicote do grupo multinacional, os cinco maiores produtores de couro no Brasil não ficam na região amazónica. São eles: Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, Paraná e Bahia.

Refira-se que os principais importadores do couro brasileiro são China, Itália, Estados Unidos, Vietname e Alemanha.

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