A externalização logística, ou na terminologia mais disseminada no meio, o outsourcing logístico, é uma prática há longo tempo utilizada em Portugal pelas empresas multinacionais e de grande dimensão, mas que só mais recentemente se generalizou nas PME portuguesas. Estas tradicionalmente resistiam aos argumentos económicos que os operadores logísticos se esforçavam por demonstrar, baseando-se na cultura de proximidade e de pertença, em que julgavam haver perda de controlo no negócio por confiarem os bens que comercializavam a terceiros. Face ao aumento do nível de profissionalismo e sofisticação tecnológica que os operadores logísticos nacionais foram adquirindo no mercado, lentamente esta tendência foi-se atenuando, sendo atualmente já muito difícil encontrar empresas que resistam de forma consciente aos seus argumentos de venda.

O racional é simples. Ao externalizar a sua atividade logística, a empresa poupa as energias e os recursos que gastaria ineficientemente em atividades em que não é especialista, e pode-se concentrar no seu Core Business, aumentado ainda assim a sua Competividade, ao adquirir maior Flexibilidade e a Otimização das suas operações.

Do ponto de vista financeiro, a externalização logística proporciona a substituição de custos fixos, fundamentalmente em armazéns e equipamentos, naturalmente dimensionados para os picos da atividade, por custos variáveis, em que só se pagam os serviços que se necessitam, assim como assegura a redução dos investimentos necessários à atividade e a própria redução dos custos logísticos, assegurada pelas sinergias que os operadores logísticos dispõem.

Do ponto de vista operacional, os operadores logísticos garantem uma capacidade de resposta sempre adaptada às necessidades das empresas, assim como a disponibilização de uma performance logística em contínua evolução, fruto da experiência acumulada e dos níveis de especialização existente nos mesmos.

Naturalmente que os operadores logísticos são empresas que têm fins lucrativos e portanto cobrarão sempre uma margem de negócio sobre os custos otimizados dos serviços que prestam, tipicamente de um dígito no mercado nacional, mas o racional de poupança para as empresas é claro. Nos picos de atividade, os recursos utilizados pelos operadores logísticos estarão próximos dos que as empresas dispunham e portanto não haverá grandes reduções de custo, mas quando a atividade decresce para níveis intermédios ou mais baixos, as poupanças são naturalmente significativas. Os operadores logísticos dispõem de múltiplas sinergias entre as atividades dos seus diversos clientes que permitem uma racionalização dos recursos utilizados, o que não acontece com uma empresa, e é desta forma que asseguram as suas rentabilidades.
Este racional simples demonstra que a externalização logística é claramente uma prática win-win e portanto vantajosa para qualquer empresa de média e pequena dimensão.

Ricardo Sousa Costa | Administrador do Grupo Garland responsável pela Garland Logística

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