14 de Fevereiro assinala o dia de São Valentim. Embora este não chegue aos calcanhares dos nossos Santos, por cá a data já reúne grande devoção, em particular dos apaixonados que entre chocolates, postais, flores, procuram a forma ideal de mostrar o seu amor. Cabe à logística o papel principal e, no caso das flores, começa muito tempo antes para que o dia e o amor sejam perfeitos.

O Dia de São Valentim aproxima-se e traz consigo uma preparação e planeamento de muitos meses no caso dos produtos mais procurados, como é o caso das flores.

A Florisul, com 50 anos de experiência, uma das maiores produtoras e fornecedoras do país explicou à Supply Chain Magazine que “os clientes começam a pedir cotações logo em Janeiro, e muitas encomendas são realizadas ainda em Janeiro”, mas é nos dias que antecedem o Dia dos Namorados, ou dia de São Valentim, que preparam todas as encomendas, de modo a manter a frescura destes delicados e sensíveis produtos.

“O cliente procura a rosa vermelha, que é o que está estabelecido culturalmente”, embora, como nos revelam, a maior parte das rosas vermelhas que são comercializadas nesta altura são importadas, devido à grande procura e à falta de capacidade de resposta a nível nacional.

De modo a manter as flores frescas, a Florisul toma diversos cuidados com as mesmas, especialmente quando são importadas, pois quando chegam já têm dois ou três dias desde o corte.

Embora seja uma altura mais movimentada, a empresa revela que existem outras épocas em que sentem mais o pico de actividade, e que no caso do 14 de Fevereiro, devido à necessidade de importação, não é sequer a época mais rentável, do ponto de vista de quem produz. “Para nós, como produtores, é mais interessante vendermos o que produzimos e o que é nacional do que o que importamos”, diz-nos o produtor nacional de flores.

Também Victor Araújo, gerente e proprietário da Florineve e presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais (APPP-FN), sente o aumento que esta época representa. Segundo a fonte, o Dia dos Namorados significa um aumento de 20 a 30% na procura de diversos tipos de flores, e quatro vezes maior na quantidade de rosas. Defende igualmente que a produção de rosas a nível nacional não é suficiente para responder à procura, e que os produtores recorrem a países como o Equador, Colômbia e Quénia para o conseguirem.

De acordo com o presidente da APPP-FN, não só esta data, mas também o Dia da Mulher e o Dia da Mãe são importantes para os produtores de flores, e revela que segundo as estatísticas, o país tem vindo a criar um hábito cada vez maior de adquirir flores: “temos verificado com satisfação, que o consumo de Flores no nosso País, tem vindo a aumentar, apesar de lentamente, cerca de 5% ao ano, mas que ainda assim, nos faz acreditar que os Portugueses estão aos poucos a criar o habito de adquirir flores, seja para decorar a sua casa, para presentear alguém, celebrar a vida, ou simplesmente porque sim”.

De modo a manter as flores frescas e com qualidade, a Florineve corta-as o mais próximo possível da entrega, sendo que grande parte delas pode inclusivamente ser colhida em até uma semana antes, confeccionada, colocada em água com conservantes e armazenada num local apropriado e a temperatura controlada, até chegar o momento de a distribuir. Victor Araújo conta que muitos clientes fazem questão de se deslocarem para fazer a recolha das encomendas, mas que caso o cliente não tenha disponibilidade ou possibilidade de o fazer, esta tem frota própria para a distribuição, e onde não consegue ir com as suas viaturas, recorre a uma transportadora, chegando assim a qualquer parte do país.

Enquanto intermediário entre estes e o cliente final, temos os comerciantes, e a Colvin, presente em Portugal há quase um ano, veio inovar e quebrar as tradições ao comercializar estes produtos numa plataforma online, disponibilizando uma variadíssima gama de buquês (sazonais e permanentes) e colecções originais, mas revela que para eles “a Colecção do Dia dos Namorados é a grande estrela”.

“Decidimos revolucionar a indústria e mudar o sector das flores criando a Colvin. Para conseguirmos atingir esse objectivo, apostamos em qualidade e design a um preço competitivo. Eliminámos intermediários do processo de compra e decidimos criar a melhor experiência possível de compra de flores”, revela Sergi Bastardas, CEO da Colvin.

Sergi conta que nos dias que antecedem esta época vendem 20 vezes mais que no resto do ano, sendo que os três dias anteriores à data representam metade das encomendas feitas. “Estas encomendas representam um total de 8% das nossas vendas anuais de flores,” explica.

Para optimizar o processo de distribuição, a Colvin criou ainda um novo conceito: “da terra para o vaso” . “Geralmente, a distribuição normal envolve produtores, importadores, exportadores, logística internacional, distribuidor local e retalhista local até que as flores cheguem às mãos do consumidor final”, revela-nos o mesmo responsável, explicando que a empresa corta nos intermediários e contacta directamente com o fornecedor, conseguindo evitar custos seis vezes superiores e desperdícios desnecessários. Neste processo, a Colvin está apenas em contacto com o produtor e o cliente final, reduzindo os 9 a 16 dias normalmente necessários para apenas 2 a 4.

“A nossa estratégia passa por conseguir fazer as flores chegarem do produtor ao consumidor o mais rapidamente possível. Assim que recebemos uma encomenda, os nossos floristas preparam o buquê seleccionado na linha de produção. Garantimos, desta forma, um dos valores mais relevante para nós: a frescura.”

Sergi conta que têm uma preocupação muito grande com o mundo digital, a proximidade e a personalização dos seus serviços, e considera que essas são algumas características que os diferenciam.

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