Em entrevista ao Dinheiro Vivo, José Maria Castro, director-geral do centro de produção de Mangualde do grupo PSA, falou sobre a concretização da ligação ferroviária entre Aveiro e Mangualde e o seu impacto na logística da fábrica e dos veículos.

Há cerca de 10 anos que a construção da linha férrea dá que falar no grupo PSA, pois não existem quaisquer avanços, segundo José Maria Castro. Embora o Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI) tenha apostado nesta obra para a próxima década, com um investimento de 650 milhões de euros, o director-geral não deposita expectativas no projecto “no nosso plano estratégico não estamos a trabalhar no tema porque não temos a certeza de que este plano vai avançar. Falamos disto há quase dez anos e não vemos que as coisas tenham avançado”.

No entanto, considera estrategicamente importante porque a maior parte dos seus clientes estão localizados na Europa central e ocidental, havendo necessidade de criar uma via mais produtiva a nível de transporte.

“Hoje estamos todos no transporte rodoviário, que é cada vez menos competitivo por causa das emissões de dióxido de carbono e dos preços do petróleo. É um eixo estratégico para a indústria automóvel”, refere ainda sobre a ligação Aveiro-Mangualde.

No que diz respeito ao efeito da obra na logística da fábrica e dos veículos produzidos pela PSA, José Maria Castro, explica que o mais simples de transferir para os comboios são os carros já montados. O trabalho que seria realizado posteriormente seria a massificação logística de peças. Afirma ainda que “poderemos massificar fluxos de transporte da Volkswagen e do nosso grupo, porque a única maneira de rentabilizar este transporte é com comboios de 500 ou 600 metros, mas para isso são necessários volumes muito grandes e estáveis”.

Volta a frisar que a logística na parte dos carros não tem nenhuma complexidade, no entanto o transporte das peças deve ser trabalhado, algo que, no futuro, pode dar uma importante vantagem competitiva para o grupo.

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