Numa situação regular, o tratado entre o Reino Unido e a União Europeia estipulava que em Março os britânicos abandonassem a UE, e a curto prazo os efeitos não seriam sentidos, pelo menos de imediato. Mas qual seria o perigo neste momento caso eles decidam abandonar o barco mais cedo, com um “no-deal Brexit”, ou Brexit sem acordo? Ficaria tudo igual?

O Consórcio britânico do Retalho alertou ontem o governo através de uma carta para o que poderá esperar de uma saída sem acordo entre Londres e Bruxelas: preços elevados e prateleiras vazias a curto prazo, afectando não apenas empresas e cadeias alimentares, mas milhares de consumidores. “Não é possível mitigar todos os riscos das cadeias de fornecimento”, pode ler-se na carta.

Os retalhistas defendem que o UK está muito dependente da UE para tomar esta decisão, e no caso de ela acontecer, alertam para a falta de aprovisionamento que se irá gerar. Segundo os dados fornecidos pelo governo britânico, 50% do abastecimento alimentar provém do Reino Unido, 30% da União Europeia e o restante de diversas partes do mundo.

De acordo com o Consórcio, “as nossas [UK] cadeias de fornecimento estão intimamente ligadas à Europa – quase um terço dos alimentos que consumimos no Reino Unido chega da União Europeia. Em Março, a nossa situação ainda será mais complicada, uma vez que a produção do Reino Unido estará fora da época”, referindo-se ao facto de que nesta altura do ano “90% das alfaces, 80% dos tomates e 70% das frutas delicadas vendidas no Reino Unido crescem na UE”.

Os retalhistas contam que devido às características dos alimentos estes terão de ser transportados no menor tempo possível: “como estes produtos são perecíveis têm de ser transportados rapidamente das quintas para as nossas lojas”.

Armazéns sobrelotados
No que toca a perecíveis, estes não poderão ser armazenados “frescos” para sempre, e mesmo alguns outros produtos não irão durar eternamente, todos os stocks serão limitados, acrescendo a tudo isto os custos de transporte e armazenamento de produtos em grandes quantidades. Toda a cadeia “just-in-time” irá sofrer drasticamente caso o Reino Unido saia da UE caso esta ideia se mantenha.

Os retalhistas também contam que embora não seja possível contornar todos os problemas colocados pelo sistema, procuram alternativas e, caso não exista um acordo, a situação poderá ser ainda pior. “Temos trabalhado de perto com os nossos fornecedores em planos de contingência, não é possível mitigar todos os riscos para a nossa cadeia de abastecimento e tememos disrupções significantes como resultado de não ocorrer um acordo”.

O Consórcio britânico dos Retalhistas apela a que seja encontrada uma alternativa que não comprometa toda a supply chain e “evite o choque de uma saída sem acordo” que irá afectar milhares de pessoas.

Entre outros riscos estão ainda acessos à saúde e casos de emigração e imigração.

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