Estava numa sessão de acolhimento de novos estagiários, a explicar um pouco daquilo que se fazia na Direção de Procurement. Nessa altura lembrei-me do que me foi dito, há 17 anos atrás, por um administrador no dia da minha entrada: “A área de compras é muito interessante. Conseguem ter uma visão de toda a organização. Se fosse hoje, gostava de ter começado a minha carreira por aqui!”. Na altura, achei que não eram mais do que simpáticas palavras de circunstância. Percebi, depois, que estava errado!

E, por isso, lá estava eu, frente a um conjunto de “miúdos” acabadinhos de sair da faculdade, a falar do interessante que é a área de Procurement. E isso não é uma tarefa fácil porque eles querem ouvir falar de CorporateFinance, Direções de Estratégica, Marketing, Novos Negócios…
Um deles perguntou-me: “Mas vocês acabam por não ser especialistas de nada… Como é que isso pode ser interessante e bom para a minha carreira?”. É uma verdade! Somos os chamados “especialistas generalistas”.
Para responder à questão que ele me fez, olhei para trás 2 meses e fui buscar apenas alguns dos temas que temos acompanhado:

  • WLTP e os impactos que terá nas políticas de frotas, veículos disponíveis e sustentabilidade.
  • Mercados de energia, para perceberse a aposta deverá ser em compras em OMIE, OMIP, contratos fechados ou o serviço universal.
  • Evolução das negociações que ocorrem na ConcertaçãoSocial, com os impactos que terá em alguns contratos que temos em vigor (Limpeza, Segurança,…).
  • Acompanhamento regular das taxas de câmbio e das taxas de juro, para identificar a melhor altura para se efetuarem alguns negócios.
  • RGPD e os efeitos que terá na relação com os fornecedores, quer em termos contratuais, quer na abordagemao mercado e estratégia negocial.
  • Acompanhamento de Start-ups e desafios. Como negociar com estas empresas que, em algumas situações, o foco não é no preço que praticam, mas na experiência que poderão vir a ganhar por trabalharem com uma empresa de grande dimensão? Como nos salvaguardarmos em termos contratuais com a possibilidade de falência destas empresas?
  • Como estão aevoluir as recentes buzzwords: OCR, ICR, RPA, AI, Big Data,Blockchain… Que efeitos poderão ter nas nossas atuais operações?Como é que poderemos utilizar estas tecnologias para melhorar a nossa atual prestação de serviços e automatizar partes do processo de Procurement?
  • Como está a evoluir o lançamento de novos produtos tecnológicos e os novos modelos de licenciamentos, nomeadamente com os grandes gigantes tecnológicos? Qual a abordagem negocial que teremos de fazer? Qual o melhor timing para negociar? Que alternativas existem no mercado?
  • Como aproveitar os leilões eletrónicos para obter ganhos negociais e aumentar a eficiência do Procurement?
  • Acompanhar os vários mercados das várias categorias, em relação à movimentação/orgânica dos váriosplayers: processos de Fusões & Aquisições, falências, divulgação das contas das empresas, criação de planos de contingência.

Depois de tudo isto, ele ficou a olhar para mim. “É certo que não somos especialistas, mas temos de estar atualizados sobre as mais variadas áreas da empresa, o que dá uma visão bastante global. Por esse motivo é bastante interessante e pouco monótono. Além de que te dá hipótese de definires as áreas com que mais de identificas na empresa!”.
Acabei por não perceber se ele ficou convencido, mas fiquei orgulhoso por tudo aquilo em que temos vindo a trabalhar nos últimos meses!

João Bento Casimiro,  Direcção de Procurement, Fidelidade

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